Alexis Brown/Unsplash
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Megafone

Dos millennials rezará a história

Não nos moldamos aos modelos que a sociedade já decidiu para nós. Temos uma vontade demasiado própria de sermos nós próprios, de lutar por novas aspirações, de definir metas mais ambiciosas.

Não encaixamos nas convenções. Não pertencemos à sociedade previamente definida. Não somos de nada. Não somos de ninguém. Somos de ideias. Somos nómadas. Queremos viver perdidos e o nosso maior receio é que nos encontrem.

Nascemos entre 1980 e 1990, vimos o virar do milénio, pensámos que o mundo acabaria em 2000, somos aqueles a quem chamam millennials — a geração que desliga de tudo o que é convencional, mas que acaba por estar sempre ligada a tudo e a todos.

Crescemos num ambiente volátil e onde o desenvolvimento tecnológico é constante: a cada dia aparecem inovações, telefones com 20 câmaras fotográficas e gadgets aos quais, muito provavelmente, nunca iremos dar uso. Fomos inevitavelmente moldados por esse avanço, o que pode justificar o facto de sermos globais, estarmos sempre conectados, fazermos compras online e pertencermos a toda e qualquer rede social.

Pertencemos à geração que veio estragar as contas, que veio pôr em causa o convencional. Colocámos o capitalismo e o seu consumismo desenfreado de parte e trouxemos novos vocábulos como carsharing, couchsurfing, cowork, entre outros. Valorizamos mais a partilha e a experiência do que propriamente a possessão. Por isso, para nós, termos como “alugar” e “repartir” têm mais significado do que comprar ou adquirir. Não almejamos comprar uma casa (até porque não teríamos posses para tal) e, se possível, nem carro queremos ter: utilizaremos os transportes públicos que a cidade providenciar ou uma qualquer plataforma de partilha de boleias.

Ouvimos falar d’ A Verdade Inconveniente, de Al Gore, e vimos o Antes do Dilúvio, de Leonardo DiCaprio. Tudo isso tornou-nos mais verdes, mais ecológicos — uma geração mais ambientalista que luta por proteger a Terra que hoje é nossa e amanhã poderá já não ser da nossa descendência.

Não nos moldamos aos modelos que a sociedade já decidiu para nós. Temos uma vontade demasiado própria de sermos nós próprios, de lutar por novas aspirações, de definir metas mais ambiciosas.

Não somos como os nossos antepassados — os nossos pais ou os nossos avós —, que aos 30 aspiravam ter um trabalho estável, com um horário simpático, que pagasse um ordenado razoável e que desse para governar a família. Queremos ser independentes cedo, é certo, mas queremos viver antes de assentar, queremos conhecer o mundo e queremos que este nos conheça. Pretendemos remodelar a economia e temos uma nova visão do mundo. Somos empreendedores natos que não procuram o “emprego da vida”, procuramos sim experiências que nos dêem bagagem (e também algum dinheiro). Mas desenganem-se aqueles que pensam que esse dinheiro se destina a uma conta-poupança. Servirá, sim, para adquirir mais experiência, viajar, ser nómada num qualquer lugar com uma cultura completamente diferente daquela onde estamos sedimentados.

Somos, muitas vezes, definidos como amorfos, instáveis e contraproducentes. Contudo, somos mais do que isso: somos originais, temerários e audaciosos! Queremos ser vanguardistas e mostrar o nosso potencial. Mas, acima de tudo, queremos adquirir ainda mais potencial, mais capacidades, queremos ser, cada vez mais, versáteis e inovadores. Estamos cheios de sonhos, dizem, mas a nossa ambição é que a sociedade floresça em prol desses mesmos sonhos.