Lisboa tem mais alojamentos locais por habitante do que Paris, Londres e Roma

A capital portuguesa é a cidade europeia que mais tem perdido população desde 2011. O preço e a dificuldade em encontrar casa fazem com que a população migre para áreas periféricas.

Foto
Nuno Ferreira Santos

Em Lisboa há registo de mais de 30 alojamentos locais por cada mil habitantes, um valor superior ao registado em cidades como Londres, Paris, Roma e Madrid. A notícia é avançada pelo Jornal de Negócios, que refere uma análise da Moody’s sobre o mercado de habitação.

De acordo com a agência de notação financeira, em Lisboa existem 32 casas registadas no Airbnb por cada mil habitantes, o rácio mais elevado da lista, ficando acima dos números registados em Paris, que é a segunda cidade da lista, com um rácio de 24 casas.

Face a esta tendência, nota o Eco, Lisboa é a capital europeia com maior queda de população, registando uma diminuição de 7% desde 2011. A migração para as periferias, diz o relatório, deveu-se à dificuldade de arranjar casa nas áreas metropolitanas.

A agência assinala também que é cada vez mais difícil pagar casa na Europa, tendo em conta que os preços das habitações aumentaram para um nível que os salários não foram capazes de acompanhar.

“Nos anos recentes, a inflação dos preços das habitações tem superado o crescimento dos rendimentos em algumas grandes cidades europeias, diminuindo o poder de compra e a qualidade do crédito hipotecário, enquanto beneficia os orçamentos municipais”, lê-se no comunicado divulgado pela agência nesta quarta-feira.

Nas dez cidades analisadas pela Moody’s no ano passado (Amesterdão, Berlim, Dublin, Frankfurt, Lisboa, Londres, Paris e Roma), os proprietários demoram, em média, 15 anos a conseguirem pagar a totalidade das suas casas. Entre 2005 e 2007, o tempo médio de aquisição de uma casa era de 12 anos nestas cidades.

Madrid é a única cidade em que actualmente as casas demoram menos tempo a serem pagas do que no período anterior à crise. Em Paris, Londres e Amesterdão, o tempo médio de aquisição de uma casa ultrapassa os 18 anos. Por sua vez, Lisboa está abaixo da média europeia: demora-se em média 12 anos a conseguir pagar a totalidade de um imóvel, ainda que se tenha registado um pequeno aumento face aos anos anteriores à crise.

Segundo a agência de notação financeira, há cinco factores que explicam esta tendência: a inflação dos preços das habitações nas cidades europeias é superior à inflação nacional; a inflação dos preços das habitações tem sido superior ao crescimento dos salários; a população da maiorias das cidades cresce a um ritmo superior do que o registado a nível nacional; o número de construções novas é baixo, ao mesmo tempo que a procura aumenta; a crescente oferta turística ocupa os imóveis que poderiam ser usados para habitação.

Em comunicado, o Bloco de Esquerda reitera o “apelo a Fernando Medina para que reveja a sua posição para impedir o crescimento insustentável do alojamento local na cidade”. Os bloquistas afirmam que os dados agora revelados pela Moody's apenas “confirmam aquilo que o Bloco de Esquerda tem dito” e que a proposta apresentada pelo partido para a regulamentação do alojamento local (AL) “impediria registos nas zonas mais sobrecarregadas, permitindo somente registos nas zonas de fiscalização do AL”. 

“É certo que já foram tomadas algumas medidas”, reconhecem os bloquistas. “No entanto, precisamos de responder melhor à cidade”. Segundo a agência de notação financeira, entre 2012 e 2018, os salários dos lisboetas cresceram 10%, enquanto os preços das casas subiram 50%”.