Pescadores da sardinha de Portugal e Espanha vão a Bruxelas

Restrições à pesca da sardinha terminam no próximo dia 21. Organizações de pescadores querem acelerar negociações sobre novo máximo de capturas, que defendem que suba para um total de 15 mil toneladas por ano entre os dois países.

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NELSON GARRIDO

As organizações da pesca da sardinha de Portugal e Espanha vão na quarta-feira a Bruxelas para sensibilizarem os responsáveis da União Europeia para que seja fixado um total de capturas de 15 mil toneladas este ano.

A delegação ibérica é composta por oito representantes, quatro de Portugal e quatro de Espanha, adiantou em nota de imprensa a Associação das Organizações de Produtores da Pesca do Cerco (ANOP).

O encontro surge na sequência do pedido de reunião feito pelas organizações dos dois países ao director geral dos Assuntos Marítimos e das Pescas da União Europeia, na sequência dos dois encontros realizados pelas respectivas organizações.

Uma vez que as restrições à pesca da sardinha terminam no dia 21, o sector vai exigir mais celeridade nas negociações, que decorrem em Bruxelas, entre Portugal e Espanha, para a definição do total de capturas para este ano.

As organizações, que representam meio milhar de embarcações e cinco mil pescadores, vão defender uma quota anual de 15.425 toneladas, a dividir pelos dois países.

Esta posição, enviada já aos governos dos dois países, foi assumida tendo em conta “os bons resultados científicos obtidos em 2018 pelos cruzeiros de investigação científica”, ao apontarem para um aumento de 70% da biomassa da sardinha com mais de um ano, entre 2017 e 2018.

As 15.425 toneladas correspondem a 10% da estimativa de stock existente, fixada em 154.254 toneladas no último parecer do Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES, na sigla em inglês) para 2019.

Assim, o total de capturas ficaria acima do de 2018, quando foi de cerca de 12.000 toneladas, reduzidas ao longo do ano para 9.000 toneladas, mas ainda assim abaixo das possibilidades de pesca definidas para 2017.

O sector alerta que a sustentabilidade do recurso não está posta em causa, porque está a recuperar, mas a sustentabilidade económica e social do sector está, se o mínimo de capturas anual não for fixado nas 15.425 toneladas.

As organizações querem sensibilizar Bruxelas não só para a importância económico-social desta pesca, mas também para os sacrifícios que os pescadores têm vindo a fazer nos últimos anos, com reduções nas capturas de ano para ano.

Em 2018, o sector atingiu a quota de pesca mais baixa de sempre, quando em 2008 capturava 101.464 toneladas de sardinha.

Na quinta-feira, a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, disse que as negociações entre Portugal e Espanha quanto à quota da sardinha estão a decorrer “em perfeita sintonia”, salientando a necessidade de encontrar “um ponto de equilíbrio”.

Desde Setembro de 2018 que os pescadores de Portugal e Espanha estão sem poder pescar sardinha, situação que se vai prolongar até ao dia 21.