Uma antologia com mangalhos e cricas a mais para a moral salazarista

A Ponto de Fuga acaba de lançar uma reedição da Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica organizada por Natália Correia em 1965 e lançada pela Afrodite de Ribeiro de Mello. Em pleno salazarismo, a obra escandalizou o regime, que processou e condenou a escritora, o editor e alguns dos poetas representados.

Natália Correia
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No final de 1965, o jovem editor da Afrodite, Fernando Ribeiro de Mello, fazia chegar às livrarias uma Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica organizada por Natália Correia e ilustrada com desenhos de Cruzeiro Seixas. O livro, um espesso volume de mais de 500 páginas, foi considerado pornográfico pelos censores do regime, que se afadigaram a contabilizar as generosas ocorrências de caralhos, porras, mangalhos, colhões, pentelhos, cricas, conas, cagueiros e afins. A PIDE, como seria de esperar, apreendeu imediatamente a obra, e Natália Correia e Ribeiro de Melo, acusados de “ofender o pudor geral, a decência pública, os bons costumes, o pudor sexual [e] a moralidade pública”, acabaram processados e condenados em tribunal plenário, a par de quatro autores representados no volume: E. M. de Melo e Castro, Mário Cesariny, Luiz Pacheco e Ary dos Santos.