Há sete anos que não havia tantos casamentos em Portugal

No ano passado registaram-se 34.637 matrimónios. Número de bebés também aumentou: foram mais 866 do que em 2017. Saldo natural é negativo há dez anos.

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Adriano Miranda

No ano passado nasceram mais bebés e celebraram-se mais casamentos. Entre 2017 e 2018, o aumento foi de 1% e 3%, respectivamente. Os números fazem parte das Estatísticas Vitais, divulgadas nesta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e mostram que, no que diz respeito aos matrimónios, o crescimento foi suficiente para ultrapassar os registos dos últimos sete anos — mais elevado só em 2011.

A tendência de aumento no número de casamentos tem vindo a registar-se desde 2015. “Dos casamentos celebrados, 34.030 realizaram-se entre pessoas de sexo oposto e 607 entre pessoas do mesmo sexo (523 em 2017): 342 casamentos entre homens e 265 casamentos entre mulheres (282 e 241, respectivamente, em 2017)”, detalha o INE.

Em mais de metade dos matrimónios consumados no ano passado, os noivos já viviam juntos. Uma situação que tem vindo a aumentar “significativamente nos últimos anos, passando de 44,2% em 2010 para 59,8% em 2018”, considera o INE.

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Quanto à forma de celebração, a tendência de decréscimo do casamento católico (32,5%) em detrimento da cerimónia civil (67,1%), voltou a acentuar-se. Em 2010, essa diferença já existia mas era muito menor: os matrimónios na Igreja eram 42,1% contra 57,9% consumados pelo civil.

O INE ainda não divulgou os dados sobre os casamentos dissolvidos por divórcio. Mas sabe-se que, em 2018, 46.002 matrimónios foram dissolvidos por morte de um dos cônjuges. A grande maioria (70%) das pessoas que ficam viúvas são mulheres. 

Saldo natural continua negativo

De volta aos nascimentos, apesar do aumento registado, o número de bebés nascidos de mães residentes em Portugal em 2018 (87.020) não chegou para ir além dos valores de 2016 (87.126). Mesmo assim, são mais 866 do que em 2017.

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O número de óbitos registados em 2018 também aumentou (3%) em relação a 2017. No ano passado, morreram 113.000 pessoas em território nacional — mais 25.980 do que as que nasceram. “Portugal teve, assim, pelo décimo ano consecutivo, um saldo natural negativo”, conclui o INE. 

Do total de óbitos, 56.694 foram de homens e 56.306 de mulheres. A grande maioria (85,5%) das mortes diz respeito a pessoas com 65 ou mais anos de idade. Mas também se verificaram 281 óbitos de crianças com menos de 1 ano (mais 52 que os registados em 2017), “próximo do valor registado em 2016.” A taxa de mortalidade infantil em 2018 foi 3,2 óbitos por mil nados vivos (2,7 em 2017).

Em Fevereiro nascem menos

Em 2018, como em 2017, “foi no mês de Outubro que se registou o maior número de nascimentos”, constata o INE. Contrariando a tendência de mais bebés a nascer em Setembro, que se observou entre 2010 e 2016. Fevereiro foi o mês em que nasceram menos crianças.

Pelo quarto ano consecutivo, há mais bebés a nascer fora do casamento do que entre pais casados. Em 2018, essa proporção era de 55,9%.

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No ano passado, um terço dos bebés nasceu de mães com 35 anos ou mais. A proporção de mães nesta faixa etária tem aumentado desde 2010. Por outro lado, “entre 2010 e 2018, registaram-se decréscimos nas proporções de nados-vivos de mães com idades inferiores a 20 anos e de mães com idades dos 20 aos 34 anos, respectivamente de 1,7 e de 9,3 pontos percentuais”, detalha o INE.