Paulo Rangel não tem dúvidas: Vox é “direita-radical” e não tem lugar no PPE

De visita à Madeira, cabeça de lista do PSD às europeias distancia-se da visão de Nuno Melo sobre o recente fenómeno político espanhol.

Paulo Rangel (PSD)
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Paulo Rangel (PSD) LUSA/PAULO NOVAIS

É sem “qualquer dúvida” que Paulo Rangel olha para o Vox como um partido de direita-radical. O cabeça de lista do PSD às europeias não encontra, por isso, espaço para aquele partido, que no domingo elegeu 24 deputados para o Parlamento de Espanha, integrar o Partido Popular Europeu (PPE), a família política em que se incluem o PSD e o CDS.

O Vox é um partido de direita-radical. Sobre isso não há qualquer dúvida”, considerou nesta segunda-feira ao PÚBLICO, apontando a “ideologia marcadamente nacionalista” e o programa “discriminatório” em relação às mulheres para o colocar longe dos valores defendidos pelo PPE.

“Não partilha os mesmos valores liberais, democráticos e solidários do PPE”, continuou Paulo Rangel à margem de uma acção de pré-campanha na Madeira, comparando o Vox com a direita mais radical que surgiu nos anos 30 do século passado. O discurso, argumenta o candidato social-democrata, é diferente porque os tempos também são outros, mas o radicalismo é semelhante.

Rangel distancia-se assim de Nuno Melo, que em entrevista este fim-de-semana à Lusa, defendeu que o Vox não é um partido de extrema-direita, admitindo que aquela força política pudesse integrar o PPE no Parlamento Europeu. “O Vox estará para o Partido Popular [espanhol] como a Aliança está para o PSD”, afirmou o cabeça de lista do CDS às europeias. “Leiam o programa do Vox. Não vão pelos títulos, nem pelos rótulos. Verão que é um partido europeísta”, repetiu Nuno Melo na mesma ocasião.

Não e não. “Tem uma ideologia de pendor nacionalista e não tem as características para integrar o PPE”, insiste Rangel, que secundariza o “mau resultado” eleitoral da direita em Espanha. “É um mau resultado, mas não é irrecuperável. O mais significativo é que o impasse se mantém”, acrescenta. Paulo Rangel visitou esta segunda-feira a sede da Saipem Portugal, no Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM), onde teve a oportunidade de defender a importância da zona franca madeirense para a economia regional e nacional e se demarcar do que diz serem “fixações e obsessões” que em nada ajudam a “reputação” do país.

Em defesa da zona franca

“Há pessoas que não estão devidamente informadas, ou estão desinformadas ou não se querem informar”, disse, defendendo a actividade do centro de negócios madeirense. “Estamos perante um espaço que não tem os problemas que existem noutros espaços na Europa. Existe sobre ele uma fixação, uma obsessão, talvez por uma política interna pequenina”, afirmou, alertando para os “prejuízos muito graves” para as economias regional e nacional e até para a reputação do país, caso o CINM seja impedido de continuar.

Deviam, continuou Rangel sem nunca identificar o alvo das críticas, fixar-se noutras situações (Chipre ou Malta), que merecem reparo e justificam a intervenção das autoridades europeias. “Estariam a prestar um melhor serviço a Portugal, aos portugueses e até à economia mundial”, acrescentou, comparando o procedimento aberto pela Comissão Europeia à Zona Franca, com a resolução do BES. “Foi imposta a Portugal uma medida [a resolução do banco] que depois a outros países já não foi.”

Rangel, que esteve sempre acompanhado pela candidata indicada pelo PSD-Madeira, Cláudia Monteiro de Aguiar (sexta na lista), sustentou que a economia do século XXI é global e, por isso, falar em postos de trabalho gerados na Madeira é lançar uma “cortina de fumo” sobre a riqueza gerada no CINM, que é aplicada directamente na economia madeirense e no “bem-estar das pessoas”. Mesmo assim, contabilizou, na sede da Saipem Portugal, trabalham 110 pessoas. “Fisicamente, sem contar com os postos de trabalho indirectos que são gerados.”

O cabeça de lista social-democrata chegou à Madeira logo pela manhã, passando o dia em contactos com a população e a visitar “bons exemplos” da aplicação de fundos comunitários no arquipélago.

Além de Cláudia Monteiro de Aguiar, esteve acompanhado de Miguel Albuquerque, líder regional do partido, que no final do dia organiza um jantar-comício num restaurante do Funchal.