No teatro de Pedro Barateiro, o palco é uma plateia

Na Sala Garrett, no Teatro D. Maria II, Pedro Barateiro, explora, visual e metaforicamente, a extracção do lítio, para nos confrontar com a vertigem da alienação do mundo. Terça e quarta-feira, em A Viagem Invertida reunindo, sobre o palco, outros artistas e o público.

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O artista plástico Pedro Barateiro Rui Gaudêncio
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Lula Pena e Luís Guerra Rui Gaudêncio
,Dança moderna
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Luís Guerra Rui Gaudêncio
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Lula Pena Rui Gaudêncio

Em A Viagem Invertida, performance que o artista Pedro Barateiro estreia nesta quarta-feira (às 18h) na Sala Garrett do Teatro D. Maria II, e que se inscreve na segunda edição da BoCA – Biennial of Contemporary Arts, não há plateia. O público vai estar no palco, perto ou à volta dos intérpretes e da instalação que a constitui. Sim, não se trata de uma peça convencional de teatro, mas de um acontecimento-objecto híbrido feito de palavras lidas, imagens, esculturas, música, som e dança. Um espectáculo em que o espectador das artes performativas pode ser, também, o espectador das artes visuais. Pedro Barateiro é o encenador e o autor da peça, para a qual convidou a cantora e a guitarrista Lula Pena (com quem já trabalhou noutras ocasiões), o bailarino Luís Guerra e a compositora Margarida Magalhães, do projecto Raw Forest. Juntos dão corpo e voz a um texto que o artista escreveu, instigado por realidades às quais nos fomos habituando: a predação da Terra pelo homem, o consumo humano do mundo natural. Em causa, está uma acção humana: a extracção do lítio em regiões do Norte de Portugal, onde se encontram algumas das maiores reservas na Europa deste metal alcalino.