Presidente envia mensagem a militares portugueses na República Centro Africana

Há dois meses, a quarta Força Nacional Destacada esteve envolvida em violentos combates.

Militares portugueses na República Centro-Africana
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Militares portugueses na República Centro-Africana LUSA/CEMGFA

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, referiu que está consciente dos riscos que os militares portugueses enfrentam na República Centro Africana (RCA), mas mostrou-se orgulhoso do desempenho como, aliás, já havia feito antes. O Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA), almirante Silva Ribeiro, esteve nesta sábado em visita aos militares portugueses que estão na missão de paz das Nações Unidas na RCA e leu uma mensagem do Presidente da República às tropas.

“Sei exactamente em que consiste a vossa missão de salvaguarda da paz, da segurança, da estabilidade e de condições mais humanas em populações tão sacrificadas. Sei exactamente quais os ricos que vos aguardam durante os meses desta vossa missão”, referiu o Presidente da República, garantindo que vai acompanhar o dia-a-dia das forças destacadas.

“Estamos, pois, juntos, nesta missão por Portugal. Interpreto o sentir de todos os portugueses ao testemunhar-vos a total confiança e solidariedade de Portugal. E exprimo o orgulho que sinto de ser Presidente e Comandante Supremo de mulheres e homens como vós”, acrescentou.

Forças decisivas

O Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, por seu lado, afirmou que os militares portugueses desempenharam um papel decisivo no processo de paz da República Centro-Africana (RCA), referindo que ouviu elogios de todas as organizações.

“As nossas as forças têm sido decisivas na consecução do processo de paz na RCA. Há dois meses, a quarta Força Nacional Destacada (FND) esteve envolvida em violentos combates que permitiram desmantelar a UPC e levar à sua rendição, o que foi determinante na assinatura do acordo de paz. Agora, a UPC tem um papel relevante nesse processo”, disse o almirante Silva Ribeiro, em declarações à agência Lusa.

Além do encontro com os militares portugueses no país africano, o almirante Silva Ribeiro foi recebido pelo primeiro-ministro da RCA, Firmin Ngrebada, esteve num encontro com o representante especial do secretário-geral das Nações Unidas, Mankeur Ndiaye, e condecorou o líder da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização na República Centro-Africana (MINUSCA), general Bala Keita, com a medalha de S. Jorge.

“De todos ouvi um agradecimento sentido por Portugal continuar empenhado na RCA, que é um país martirizado pela acção dos grupos armados. Depois transmitiram uma mensagem de comprometimento para a forma de actuação das forças portuguesas, que consideram ter a postura operacional correcta, e por fim um reconhecimento à valia dos nossos militares, à sua preparação, coesão, persistência e brio das forças portuguesas”, frisou.

Num comboio das Nações Unidas, a comitiva percorreu as movimentadas ruas da capital da RCA, Bangui, sempre com a segurança das viaturas blindadas. O almirante Silva Ribeiro mostrou-se orgulhoso no desempenho dos militares e salientou que este é o teatro de operações mais exigente a nível operacional desde a guerra colonial.

“A preparação dos contingentes demora seis meses e é necessário um contínuo aprontamento das forças. Não se pode vir para um teatro operacional destes como a mínima deficiência, a preparação é decisiva para o brilhantismo da nossa actuação na RCA”, explicou, referindo que para se conseguir muitas vezes é preciso combater na guerra.

Desde 2013, o caos

A RCA caiu no caos e na violência em 2013, depois do derrube do ex-Presidente François Bozizé por grupos armados juntos na Séléka, o que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas sob a designação anti-Balaka.

O conflito neste país, com o tamanho da França e uma população que é menos de metade da portuguesa (4,6 milhões), já provocou 700 mil deslocados e 570 mil refugiados e colocou 2,5 milhões de pessoas a necessitarem de ajuda humanitária.

O Governo centro-africano controla cerca de um quinto do território. O resto é dividido por mais de 15 milícias que procuram obter dinheiro através de raptos, extorsão, bloqueio de vias de comunicação, recursos minerais (diamantes e ouro, entre outros), roubo de gado e abate de elefantes para venda de marfim.

Portugal está presente na RCA desde o início de 2017, no quadro da MINUSCA, cujo 2.º comandante é o major-general do Exército Marco Serronha.

Portugal integra a MINUSCA, com a 5.ª Força Nacional Destacada (FND), e lidera a Missão Europeia de Treino Militar-República Centro-Africana (EUMT-RCA), que é comandada pelo brigadeiro-general Hermínio Teodoro Maio.

A 5.ª Força Nacional Destacada integra 180 militares do Exército (22 oficiais, 44 sargentos e 114 praças, das quais nove são mulheres) e três da Força Aérea.