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EMEL corta com empresa que fazia as bicicletas Gira devido aos atrasos

EMEL rescindiu o contrato com a Órbita, alegando “sucessivos incumprimentos contratuais” que resultaram em sanções de 5,3 milhões de euros. Do inicialmente previsto, faltam dezenas de docas e centenas de bicicletas.

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SEBASTIAO ALMEIDA

Ainda com a primeira fase longe de estar totalmente concluída, o sistema público de bicicletas partilhadas de Lisboa vai entrar na sua segunda fase, que prevê um crescimento da rede em 350 docas e 3500 bicicletas nos próximos oito anos. Mas com um novo fabricante.

A Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL), que gere a rede Gira, anunciou esta quarta-feira o lançamento de “um novo concurso para a expansão, operação e manutenção” do sistema e, ao mesmo tempo, a rescisão do contrato com a Órbita, que ganhou o primeiro concurso e foi responsável pela introdução das Gira em Lisboa.

Há muitos meses que a rede vinha evidenciando problemas: escassez de bicicletas nas docas já em funcionamento, docas instaladas mas não abertas, zonas da cidade que deviam ter docas e nunca as receberam. A EMEL disse publicamente, por várias vezes, que a culpa era da Órbita, mas a fabricante de bicicletas sediada em Águeda rejeitou sempre a acusação, não avançando contudo com mais explicações.

No mês passado, o PÚBLICO dirigiu perguntas sobre as Gira tanto à Órbita como à EMEL. A empresa de bicicletas não respondeu, a empresa lisboeta apenas disse que contava lançar o concurso de expansão das Gira em Abril.

Num comunicado enviado esta quarta às redacções, a EMEL diz que houve “sucessivos incumprimentos contratuais por parte da Órbita” e que, desde Dezembro de 2017, data do primeiro problema, aplicou “penalidades contratuais” no valor de 5,3 milhões de euros. “Desde Maio de 2018, as falhas da Órbita foram-se somando, tendo nos últimos oito meses a empresa revelado total incapacidade para prestar o serviço contratualizado”, acusa a EMEL.

Neste momento a rede Gira já devia ter 140 docas e 1400 bicicletas, mas o comunicado afirma que “dispõe apenas de 92 estações”, das quais 18 não estão em funcionamento, quer “por falta de bicicletas”, quer “por falta de componentes”.

“Apesar de muitas e continuadas tentativas realizadas por parte da EMEL para permitir à Órbita cumprir com as suas obrigações contratuais, a estagnação da situação, verificada desde Junho de 2018, impediu, até à data, a entrada em operação de novas estações e tem vindo a originar queixas constantes por parte dos utilizadores da Gira e a manifestação de alguma desconfiança na rede de bicicletas por parte de potenciais novos utilizadores”, diz o documento.

O PÚBLICO questionou a Órbita sobre estas afirmações da EMEL, mas a empresa não respondeu.

Enquanto a crise das Gira se adensava chegaram ao mercado lisboeta inúmeras empresas de trotinetes eléctricas e também uma de bicicletas partilhadas sem docas. “A EMEL garante a continuidade da operação do actual sistema, acautelando a compatibilidade entre as bicicletas e as docas de ambos os concursos”, garante a empresa lisboeta, assegurando igualmente que os problemas da primeira fase serão resolvidos com este concurso.

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