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As “Gira” já circulam no Parque das Nações e utentes pedem mais

Já lá vai uma semana de funcionamento e são vários os que aderiram às bicicletas partilhadas “Gira”. Mas querem ir mais longe.

É através da aplicação que reservamos as "Gira", as bicicletas partilhadas de Lisboa.
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É através da aplicação que reservamos as "Gira", as bicicletas partilhadas de Lisboa Nuno Ferreira Santos

As bicicletas partilhadas de Lisboa começaram a circular na capital na passada terça-feira, 19 de Setembro. As “Gira”, da Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL), têm como missão tornar a cidade mais acessível e menos poluída. Das 140 estações planeadas, apenas 10 estão ainda disponíveis. Prestes a completar uma semana em acção no Parque das Nações, o panorama entre os utilizadores entrevistados pelo PÚBLICO é positivo.

Sem ser no Parque das Nações, de momento não se encontram em activo mais estações das bicicletas da Órbita, marca com a qual a EMEL assinou um contrato de nove anos. De acordo com o comunicado divulgado pela EMEL, “às 10 estações já instaladas no Parque das Nações, que oferecem 100 bicicletas, irão faseadamente adicionar-se as restantes estações à operação, até perfazer as 140 estações e 1.410 bicicletas que compõem o sistema.”

O PÚBLICO procurou saber a opinião dos utilizadores da rede de bicicletas partilhadas que chegou à cidade na semana anterior. Na estação 104, na Avenida do Pacífico, podemos encontrar 40 docas para as bicicletas partilhadas. Os 15 lugares vazios na estação dão indícios de uso do novo sistema de transporte lisboeta. Chega um "ciclista" que, depois de estacionar, trata do procedimento para terminar a viagem e a avaliar na aplicação.

José Manuel trabalha numa empresa nos arredores da estação 104 das Gira. Começou a utilizar o sistema na passada quarta-feira, um dia depois da estreia do sistema, após subscrever ao passe anual. O seu pretexto para o uso das bicicletas é a necessidade de se deslocar mais rápido para o local de trabalho. "Eu trabalho aqui mesmo ao lado da estação e resolvi utilizar porque estaciono longe ", comentou José Manuel. "Por exemplo, hoje esqueci-me dos óculos e rapidamente em cinco minutos fui buscar os óculos ao carro, do que de ir a pé, que às vezes é o que acontecia."

Quanto à sua experiência enquanto utilizador do sistema de bicicletas partilhadas da EMEL, José Manuel refere que, apesar de ser uma iniciativa recente, considera a sua experiência boa. “Ontem não percebi muito bem como é que funcionava em termos da parte eléctrica e da parte clássica, mas hoje já consegui perceber e ainda foi mais rápido o chegar e a deslocação entre as duas estações”, disse ao PÚBLICO.

"Eu acho mesmo espectacular”, afirma em relação à rede de bicicletas Gira, acrescentando que considera esta iniciativa útil. “Tentei inscrever-me para o trial, mas não fui aceite, talvez por não ser residente aqui. Estou expectante quanto à abertura das outras estações fora do Parque das Nações, que ainda não abriram por causa das juntas de freguesia, que estão ainda com algumas questões sobre os locais”.

Também trabalhador numa das empresas situadas no Parque das Nações, Nuno partilha a opinião de José Manuel. Começou recentemente a utilizar a rede de bicicletas e mostra-se positivo face ao projecto, tendo optado pelo passe anual. “É bastante útil para nos movimentarmos na cidade, especialmente em pequenos trajectos e quando há falta de estacionamento. Acaba por ser uma vantagem adicional para quem anda em mobilidade na cidade”, comentou ao PÚBLICO. Quanto à adesão à rede de bicicletas partilhadas de Lisboa, Nuno afirma que este pode ser utilizado desde que existam muitas estações para adquirir as bicicletas, andar e poder estacionar no fim da viagem. “Isso é que vai ser a grande vantagem adicional que pode trazer o sistema”, disse ao abordar a necessidade de existirem mais estações fora do Parque das Nações.

Já Márcio Florentino, que se encontrava a efectuar a inscrição na aplicação do Lisboa Bike Sharing no momento da entrevista ao PÚBLICO, refere que a iniciativa não é tão atractiva como esperava, sobretudo pelo preço dos passes. Questionado sobre se considera que a rede de bicicletas tenha uma grande adesão por parte dos cidadãos e turistas, Márcio discorda com os testemunhos anteriores. “Acho que pelos preços não”, disse.

Para utilizar as bicicletas partilhadas, terá que obter a aplicação da Gira e escolher entre três modalidades de passes: o anual, por 25 euros, descrito como “perfeito para residentes”; o mensal, para quem pretende fazer uma utilização regular das bicicletas, por 15 euros; e, por último, o diário, por 10 euros. Para o passe anual e mensal, existe um intervalo obrigatório entre viagens de 15 minutos, que passa para 30 minutos com o passe diário.

Na aplicação pode conferir o estado da bicicleta, quantas se encontram disponíveis na estação, quantas docas livres existem para as estacionar e, no caso das eléctricas, o nível de bateria. Na secção lateral tem a oportunidade de indicar a preferência por bicicletas eléctricas ou clássicas.

Durante a fase de teste do Lisboa Bike Sharing, que teve início a 21 de Junho, foram registadas mais de 20.000 viagens, com 1600 “beta testers” a experimentar as bicicletas. Segundo a página do projecto “Gira.Bicicletas de Lisboa”, serão colocadas bicicletas no eixo Marginal, eixo Benfica-Braço de Prata, eixo central, Olivais, circular exterior e eixo Alcântara-Luz.

Este projecto não é uma novidade em Portugal. Em Cascais é possível partilhar bicicletas através do “MobiCascais”. Em Bragança existem as “Xispas”, bicicletas eléctricas partilhadas. O município de Ansião conta com as “e-ginga” e Vilamoura com as “Vilamoura Public Bikes”.

Texto editado por Ana Fernandes

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