Aleixo sem gente no início de Maio. Torres vão ser “desmontadas”

Rui Moreira garantiu que apenas 11 famílias vivem actualmente no bairro. Torres do Aleixo não vão ser implodidas, mas antes “desmontadas”

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Construído nos anos 70, o bairro do Aleixo já teve cinco torres. Agora, sobram três Paulo Pimenta

Só 11 famílias residem actualmente nas três torres do Aleixo e na primeira semana de Maio o bairro deverá estar vazio. A garantia foi dada pelo presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, que em Março tinha admitido ter falhado o prazo para os realojamentos, cuja conclusão estava prevista inicialmente para esse mês. Agora, afiançou, o processo está às portas de estar terminado e a autarquia já elegeu como vai demolir as torres: ao contrário das duas primeiras, que foram implodidas, estas serão “desmontadas”.

Ao Fundo do Aleixo já foi enviado um pedido para que “preparasse a demolição das torres”. E a aposta pela desmontagem foi feita por várias razões: “Em termos económicos é mais razoável fazê-lo, em termos políticos parece-me mais adequado e em termos ambientais é claramente melhor porque não lança poeiras”, justificou.

O único senão, informou, no seguimento de uma pergunta da CDU durante a reunião de câmara, é a estratégia implicar “mais tempo” para ser concluída. Ainda assim, informou, será uma empreitada para “seis meses”: “É mais económico e vai avançar.”

Quanto às “obrigações” da Invesurb, Fundo Especial de Investimento Imobiliário Fechado criado em 2010 para gerir o projecto do Bairro do Aleixo - que em troca pelos terrenos se comprometeu em criar na cidade uma bolsa de casas -, o presidente da autarquia considera estarem no bom caminho, apesar de apenas dois dos cinco projectos prometidos - as casas nas Ruas Mouzinho da Silveira e Musas - estarem concluídos. 

O prédio da Travessa de Salgueiros “está em construção”. O processo das Eirinhas, cujo projecto inicial foi alterado, tem o “licenciamento concluído” e prepara-se para avançar em breve. “A única coisa que falta é o bairro do Leal”, informou. 

Em Setembro de 2018, viviam ainda 270 famílias nos três edifícios do bairro, depois de a torre 5 ser demolida em 2011 e a torre 4 ter tido o mesmo fim em 2013, ano do último mandato de Rui Rio. Inicialmente, a ideia era realojar os moradores do Aleixo em casas criadas pelo Fundo. Mas desde essa narrativa inicial muito mudou. Ainda com Rio à frente da Câmara do Porto, os realojamentos foram sendo feitos em diversos bairros do parque habitacional da câmara, aumentando ainda mais a já longa lista de espera por casa na Domus Social.

Rui Moreira havia assegurado não retirar os moradores do Aleixo antes de as casas do fundo estarem prontas. Mas a degradação progressiva das três torres fez o autarca mudar de ideias. Alguns moradores terão sido transferidos para as casas de Mouzinho da Silveira e Musas, mas os inquilinos municipais estão sobretudo a ocupar outros bairros da cidade. 

No relatório de contas de 2018 da Invesurb, reportava-se que o Fundo do Aleixo não tinha os “meios financeiros próprios ou alheios” para assegurar a totalidade das reabilitações e construções com as quais se haviam comprometido. E as datas para a demolição das torres eram também uma incógnita. Nos terrenos do Aleixo, com vistas para o Douro, está prevista a construção de sete blocos habitacionais de luxo.