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Hospitais públicos fazem maioria das urgências e cirurgias mas privados continuam a crescer

Casos de infecções sexualmente transmissíveis aumentaram em 2017, revelam dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística. Numa década, hospitais públicos perderam cerca de três mil camas e privados ganharam 1700.

Cirurgia
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Paulo Pimenta

Os hospitais públicos fizeram mais de 80% das urgências, mais de 70% dos internamentos e cerca de dois terços das consultas médicas em Portugal em 2017. Mas, tal como aconteceu em anos anteriores, é nos hospitais privados que a produção mais está a crescer, de acordo com as estatísticas de saúde esta sexta-feira divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística.

Publicados para assinalar o Dia Mundial de Saúde, que se celebra no domingo, os dados indicam que em 2017 se manteve o número de hospitais (225) e a sua repartição entre os pertencentes ao Serviço Nacional de Saúde (107 públicos e quatro geridos em parceria público-privada) e 114 hospitais privados, tal como em 2016, ano em que, pela primeira vez, estes superaram o número de públicos

Segundo o INE, em 2017 os privados registaram um acréscimo de produção tanto nas cirurgias (3,6%), como nos internamentos (4%), nas consultas médicas (4,5%) e nos exames e actos complementares ( 7,1%). Mesmo assim, nesse ano, dos 7,6 milhões de atendimentos nos serviços de urgência, 83,8% foram realizados nos hospitais do SNS. No entanto, quando se comparado os últimos dez anos, percebe-se que o sector privado está a crescer de uma forma significativa, tendo quase duplicado as suas “urgências”, que totalizaram cerca de 1,2 milhões em 2017, acentua o INE.

Relativamente ao número de camas de internamento, enquanto se observou um decréscimo entre 2007 e 2017 nos hospitais públicos, verificou-se um acréscimo nos hospitais privados, que detêm já mais de 31% do total.

Numa década, aliás, os hospitais públicos perderam cerca de três mil camas de internamento, ao mesmo tempo que os privados ganharam mais de 1.700, como já tinha sido assinalado no ano anterior. Os hospitais do Serviço Nacional de Saúde passaram de 27.086 camas de internamento para 24.050, enquanto os os privados aumentaram de 9.134 camas para 10.903.

Mais infecções sexualmente transmissíveis

Nas doenças de declaração obrigatória, aumentaram os casos de sífilis e de gonorreia (8,8 e 6,2 casos por 100 mil habitantes em 2017. Já o total de casos diagnosticados de hepatite A, estes dispararam (542 em 2017 contra 51 em 2016), tal como os de infecção por Chlamydia trachomatis, mais 70,1 % do que no ano anterior. Em sentido inverso, diminuíram os casos de sida (234, menos 30,6% do que em 2016).