Novas linhas do metro do Porto vão gerar mais 50 mil passageiros por dia

Para o ministro do Ambiente, o arranque da Linha Rosa representa o início de uma linha circular que há-de atravessar a Constituição, a caminho [da Avenida] dos Combatentes ou da Asprela. Em 2020 haverá mais seis quilómetros de rede de metro.

Lançamento dos cocnursos para construção das novas linhas do metro do Porto
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Lançamento dos cocnursos para construção das novas linhas do metro do Porto José Coelho/Lusa

A nova linha (Rosa) de metro entre a estação de S. Bento e a Casa da Música - que será o início de uma linha circular que há-de atravessar a Constituição, a caminho [da Avenida] dos Combatentes ou da Asprela - e o prolongamento da Linha D (Amarela) entre Santo Ovídio até à urbanização de Vila d’Este, em Gaia, vão potenciar um crescimento da procura diária na ordem dos 20%: “serão mais 50 mil passageiros por dia, a juntar aos 207 mil que hoje o sistema do metro transporta”, disse o ministro do Ambiente.

O ano de 2022 é apontado como a data para a entrada em funcionamento das novas linhas, numa extensão de seis quilómetros e num total de sete estações. As novidades sobre a expansão da rede do metro foram anunciadas, esta sexta-feira, numa sessão que assinalou o lançamento dos concursos para a construção das linhas e que o primeiro-ministro, António Costa, fez questão de marcar presença​.

A Linha Rosa “para além da elevada procura prevista, e com uma estação a 300 metros do Palácio de Cristal, será o início de uma linha circular, que haverá de atravessar a Constituição, a caminho dos Combatentes ou da Asprela, além de ser (…) o início da ligação ao Campo Alegre”, anunciou o ministro, revelando que “no eixo Júlio Dinis-Manuel II passam, num dia útil, 650 autocarros. É por isso imperioso colocar aí o metro, pois é evidente que as linhas do metro se devem essencialmente construir para dar resposta a uma procura já existente”.

Afirmando que o prolongamento da Linha Amarela até Via d´Este “é uma reivindicação antiga e justa”, o ministro mencionou que ela servirá o Hospital Santos Silva. Já a Linha Rosa, que será toda enterrada, vai passar junto ao Hospital de Santo António e Centro Materno Infantil. Estas unidades de saúde “são três dos principais centros geradores de viagens em toda a Área Metropolitana do Porto [AMP]”, adiantou, referindo-se ao metro do Porto como “um caso de sucesso e um relevante factor de mudança na mobilidade da AMP”. E atirou uma mão cheia de números. “Temos vindo a assistir a recordes no número de passageiros no metro do Porto. No ano passado, chegámos aos 63 milhões de passageiros, crescendo 3,4% face ao ano anterior. E nos últimos dois anos, o metro ganhou 5 milhões de passageiros”.

E para aqueles que há uma semana criticaram o passe único de transporte com preços acessíveis, o ministro deixou um recado. “Fizemos muito pela recuperação do material circulante e em pequenas intervenções que melhoraram a qualidade do serviço desde que somos governo. A melhor prova disso foi a resposta das empresas ao aumento de passageiros, em consequência do PART [Programa de Apoio à Redução Tarifária]. Os que adivinharam que o diabo viria de transporte colectivo, uma vez mais, enganaram-se”, atirou Matos Fernandes.

O presidente da Câmara do Porto também se focou na importância da futura Linha Rosa para reduzir o transporte individual na cidade. “Passo na Rua Júlio Dinis todos os dias e a cidade não pode continuar a viver daquela maneira. Neste momento, sabemos quando saímos, mas não sabemos quando chegamos. Com esta expansão do metro, e em breve, em 2022, teremos o problema resolvido”, afirmou Rui Moreira, deixando a convicção de que, depois desta fase, “o metro vai continuar a crescer”.

Para o presidente da AMP, Eduardo Vítor Rodrigues, a expansão da rede do metro representa uma estratégia integrada. “Esta é uma estratégia nova para as cidades em Portugal e para as áreas metropolitanas muito em concreto. Estamos perante um novo modelo de desenvolvimento, não estamos perante apenas duas linhas ou uma expansão a metro do metro”, disse o também presidente da Câmara do Gaia.

 A construção das novas linhas representa um investimento de 307 milhões de euros. O concurso é lançado numa altura de mudanças no sector. Segundo dados da Metro do Porto, há 25.231 novos clientes com carregamentos de assinaturas intermodais em Abril em relação ao mês de Março, uma subida de 17% que não é comum num mês em que há férias da Páscoa e a tendência é para uma diminuição da procura.

As assinaturas carregadas entre Abril de 2018 e 2019 assumem a mesma tendência de crescimento, registando-se uma subida de 26%. O dia 1 de Abril marcou a entrada em vigor dos passes apoiados pelo Programa de Apoio à Redução Tarifária e foi também o dia em que se verificou a maior corrida aos carregamentos de passes.