Metro do Porto compra veículos à prova de trainsurfing

Fenómeno que esta sexta-feira fez quatro feridos em Gondomar, já provocou a morte de uma jovem de 13 anos em Maio do ano passado.

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Acidente aconteceu no interior de um túnel, na Linha de Gondomar Nelson Garrido

Em Rio Tinto, no local onde esta sexta-feira ao início da tarde quatro jovens caíram de uma composição do metro do Porto, alguns colegas de escola comentavam que a prática de circular agarrado aos veículos é comum. “Para eles é uma coisa frequente. Fazem-no mais por diversão. Não tem que ver com factores económicos, é apenas por querer.” A brincadeira provocou quatro feridos ligeiros, mas é mais um alerta para um problema comum em muitos países, e para o qual se procuram soluções. 

O fenómeno que, no ano passado, em Maio, provocou mesmo a morte de uma jovem, é de tal forma preocupante e recorrente que a Metro do Porto exigiu, no caderno de encargos para a aquisição de novas composições, que o design das carruagens inclua elementos que impossibilitem o já internacionalmente famoso trainsurfing. Para quem nunca ouviu a palavra pela internet não faltam imagens de jovens desafiando as regras e viajando nas coberturas de comboios, ou agarrados à carroçaria. E não faltam, também, notícias de acidentes mais ou menos graves.

As medidas levadas a cabo pela Metro não se ficam pelo novo material circulante, até porque a empresa tem mais de 102 veículos de dois modelos distintos que vão continuar a operar, e para os quais é difícil encontrar solução. Por isso, tem posto em prática várias acções de sensibilização junto das novas gerações, em colaboração com as escolas, de forma a alertar para os perigos que esta prática pode acarretar. De facto, a informação disponível permite relacionar os episódios já registados com a localização, nas imediações, de estabelecimentos de ensino, nomeadamente nos concelhos de Matosinhos e do Porto.

A Metro do Porto tem-se aliado a entidades como a Protecção Civil e a Polícia de Segurança Pública nas suas campanhas que, para além de consciencialização, também visam a responsabilização. Assim se explica, segundo Jorge Morgado, do gabinete de comunicação, a “identificação” dos infractores por parte das autoridades e o contacto com os “pais dos mesmos quando estes são ainda menores”. “É um fenómeno típico de adolescentes que procuram exibir-se.”

A empresa, que vê o fenómeno com muita preocupação, aposta na prevenção e, na grande maioria das vezes, os esforços surtem efeitos, mas não por muito tempo. “O fenómeno tem características cíclicas, visto que há um efeito imediato de recuo após as campanhas, mas acaba por desaparecer”, e a situação volta a acontecer.

E aconteceu esta sexta-feira. O acidente de ontem ocorreu na Linha de Gondomar, no túnel que liga a estação Nau Vitória à de Levada, já em Rio Tinto, e envolveu quatro rapazes com 15 e 16 anos. Estavam sentados no pára-choques da composição quando esta peça cedeu, e acabaram projectados. Os primeiros socorros foram prestados pelo maquinista do veículo que circulava no sentido contrário e que foi confrontado com os pedidos de socorro. Os jovens, que foram transportados para o Hospital São, sofreram ferimentos ligeiros.

Texto editado Por Abel Coentrão