Ministro quer politécnicos a apostar nos jovens com deficiência

Manuel Heitor lamenta que em Portugal continue a dominar a exclusão quando se trata do acesso ao ensino superior de alunos com necessidades especiais.

Manuel Heitor com alunos com trissomia 21
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Manuel Heitor com alunos com trissomia 21 Rui Gaudêncio

O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior está a desafiar os institutos politécnicos a diversificarem a sua oferta formativa para que possam acolher alunos com necessidades educativas especiais, que são ainda uma presença rara neste nível de ensino. Em declarações ao PÚBLICO, Manuel Heitor indicou que já conversou a este respeito com o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, Pedro Dominguinhos, e com vários outros responsáveis destas instituições.

“Tem de se deixar de estar sempre a pensar em graus para favorecer uma educação que inclua em vez de excluir”, justificou Manuel Heitor, apontando como exemplo a formação em literacia digital que a Escola Superior de Educação do Politécnico de Santarém lançou este ano para alunos com trissomia 21. O curso não confere um grau académico, mas prepara os seus estudantes para o ingresso no mercado de trabalho, tendo já garantidos estágios para todos os 11 alunos inscritos.

Manuel Heitor frisa que este curso se tornou “uma referência nacional” por contrariar na prática a tendência para “excluir, que está ainda muito presente na Europa do Sul”. Para garantir a presença no ensino superior de alunos com deficiências cognitivas, é necessário não só criar formações específicas, mas também instituir outras formas de acesso que não passem pela realização de exames, adiantou o ministro.

É o que se passa com a formação em Literacia Digital para o Mercado de Trabalho criada pela Escola Superior de Educação de Santarém, que optou pela realização de entrevistas como principal meio de acesso.

Mas não são só os jovens com deficiências cognitivas que estão afastados do ensino superior. Também os que têm mobilidade reduzida chocam com inúmeras barreiras arquitectónicas existentes nas instituições do ensino superior. A este respeito, Heitor lembrou que existe, actualmente, legislação que obriga as instituições a adaptarem os seus espaços de modo a possibilitar o acesso de pessoas com mobilidade reduzida. “O principal obstáculo” ao acesso ao ensino superior para os jovens com necessidades especiais, é, contudo, “as pessoas”.