Calor de Março traz queda de 10% do consumo eléctrico

Começo do ano ficou marcado por pouca chuva e vento. Produção eólica foi a mais baixa para um mês de Março desde 2001.

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Produção renovável abasteceu 50% do consumo no primeiro trimestre ADRIANO MIRANDA / PUBLICO

A subida das temperaturas no mês passado levou a que o consumo de electricidade caísse 10% face ao mesmo período do ano passado, revelou a REN nesta segunda-feira.

“Esta variação reflecte as temperaturas acima dos valores normais para este mês, ao contrário do que se tinha verificado em Março do ano anterior, que foi particularmente frio”, explicou a empresa responsável pela gestão do sistema e transporte energético.

O efeito estendeu-se ao primeiro trimestre do ano, já que comparativamente aos três primeiros meses de 2018, o consumo de electricidade recuou 3,5%.

O período ficou marcado por pouca chuva e pouco vento. “O índice de produtibilidade hidroeléctrica não ultrapassou os 0,57” (para uma média histórica igual a 1) e, no caso da produção eólica “registou-se o índice mais baixo dos registos REN (desde 2001) para o mês de Março”.

Neste caso, o índice atingiu 0,81 (média histórica igual a 1), à “semelhança do que já tinha acontecido no mês anterior”, ainda que se tenha registado “um novo máximo instantâneo na produção, com 4640 MW [megawatts]”, no dia 6.

Segundo a REN, em Março a produção renovável abasteceu 51% do consumo nacional, enquanto a produção não renovável garantiu 30% e “os restantes 19% foram abastecidos com recurso a energia importada”.

No primeiro trimestre, o índice de produtibilidade hidroeléctrica situou-se em 0,52 (média histórica igual a 1), enquanto o de produtibilidade eólica foi de 0,88 (média histórica igual a 1), tratando-se neste último caso no segundo valor mais baixo dos registos da REN.

Assim, com “condições negativas nas principais fontes de produção renovável, o share respectivo não ultrapassou neste trimestre os 50% do consumo, repartido pela eólica com 26%, hidroeléctrica 18%, biomassa 5% e fotovoltaica 1,7%”. Quanto à produção não renovável, “abasteceu 37% do consumo, repartido pelo gás natural com 20% e pelo carvão com 17%”.

O saldo importador, que tem, segundo a REN, “registado nos últimos meses valores particularmente elevados”, garantiu cerca de 13% do consumo.

A subida das temperaturas também teve influência no consumo de gás natural, que registou uma quebra homóloga de 1,9% em Março. Em termos trimestrais, o consumo de gás natural recuou 7%, com uma contracção de 32% no mercado eléctrico e um crescimento de 2,6% no mercado convencional (o dos consumidores industriais, empresas e domésticos).