Opinião

A revitalização do território e o papel da indústria

O reforço da coesão territorial configura um duplo desafio: a revitalização dos territórios e um plano para a industrialização do país.

O combate às assimetrias e a revitalização do território exige uma atuação de longo prazo, combinando o objetivo global de qualificação dos territórios com o planeamento de infraestruturas rodoviárias e ferroviárias, o reforço e consolidação dos eixos urbanos, a garantia de oferta de serviços públicos nas áreas da educação e saúde, a criação de emprego, e uma aposta forte na digitalização da economia. O reforço da coesão territorial configura um duplo desafio: a revitalização dos territórios e um plano para a industrialização do país.

A atividade industrial vai mantendo expressão significativa fora das áreas metropolitanas, resistindo em territórios que não beneficiam de boas acessibilidades nem dispõem de acesso a muitos serviços públicos essenciais. Apesar desta evidência, persiste uma percepção que vincula o desenvolvimento económico aos grandes centros urbanos, tendendo-se a desvalorizar o potencial dos territórios rurais. Ora esta percepção é errada e injusta; o emprego é fundamental para a revitalização dos territórios de baixa densidade e a indústria pode ter um papel determinante, estando por norma associada a empregos melhor remunerados e mais estáveis.

Faz falta uma aposta consistente numa indústria bem integrada nos territórios, cabendo ao Estado valorizar e apoiar as dinâmicas positivas e a fixação racional da iniciativa privada, colaborando na modernização do aparelho produtivo, e incentivando a oferta das competências que são necessárias, proporcionando mais empregos, mais serviços, mais comércio e maior riqueza à escala dos territórios. Este processo só é possível com o envolvimento das regiões na definição estratégica do desenvolvimento económico, e tendo o Estado como facilitador e suporte financeiro de ações concretas em benefício de iniciativas que terão necessariamente que envolver as entidades locais. A esta estratégia tem que se associar um plano de desenvolvimento de formação e competências que permita apoiar o recrutamento que as empresas necessitam, e idealmente tal plano deve ser traçado com a cumplicidade da rede de instituições de ensino superior.

A globalização tem transformado os modelos económicos, as cadeias de aprovisionamento, o mercado de trabalho e os movimentos migratórios. Cada vez mais pessoas trabalham hoje numa economia apoiada na tecnologia digital e nos avanços da robótica e da inteligência artificial. Ora esta conjugação constitui uma janela de oportunidade para os territórios e para a economia nacional, em particular se enquadrada no objetivo de descarbonizar a economia até 2050, tornando obrigatória uma agenda verde, em que a energia limpa, os automóveis não poluentes, a utilização eficiente de água e de energia, determinam o próprio futuro das próximas indústrias globais.

Não podemos resolver os desafios globais sem os recursos, o conhecimento, a tecnologia e o envolvimento dos empresários e da iniciativa privada, que fazem parte da solução. Todavia, a esfera pública continua a ser um espaço fundamental para definir a agenda política e impulsionar a mudança. As políticas públicas são necessárias para estimular os mercados, eliminar os obstáculos, identificar as áreas estratégicas e definir objetivos e metas claras para novas indústrias e tecnologias verdes. Tal como se mantêm essenciais para garantir o respeito pelos direitos humanos e a defesa dos interesses dos grupos mais vulneráveis da sociedade.

A autora escreve segundo o novo Acordo Ortográfico