Há mais pessoas a tentar deixar de fumar com a ajuda de medicamentos

Aumento do consumo de medicamentos antitabágicos fica a dever-se, sobretudo, ao acréscimo das vendas de fármaco comparticipado pelo Estado, a partir de Janeiro de 2017.

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Fabio Augusto

Há mais pessoas a tentar deixar de fumar com a ajuda de fármacos antitabágicos, indica um estudo da Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed), que detectou picos de consumo em Janeiro, provavelmente reflectindo “resoluções de ano novo”.

O consumo de dois fármacos para deixar de fumar aumentou 17% no ano passado em comparação com 2017, segundo os resultados da monitorização esta sexta-feira divulgados pelo Infarmed.

Este aumento fica a dever-se sobretudo ao acréscimo verificado no consumo do medicamento antitabágico vareniclina, que passou a ser comparticipado pelo Estado em 37%, em Janeiro de 2017. Os encargos do Serviço Nacional de Saúde com este fármaco aumentaram 19% no ano passado face a 2017, totalizando 1,2 milhões de euros, traduzindo o “investimento da prevenção antitabágica”, a par de outras medidas com impacto “sobretudo no tratamento e internamento de patologias associadas, como o cancro do pulmão ou a doença pulmonar obstrutiva crónica”, afirma o Infarmed em comunicado.

A autoridade do medicamento monitorizou também o consumo de outro fármaco antitabágico, a nicotina, que não é sujeito a receita médica, é de preço livre e pode ser adquirido, além das farmácias, em locais de venda autorizados. A nicotina vendeu quase 117 mil embalagens em farmácias e 54 589 embalagens em locais de venda de medicamentos não sujeitos a receita médica, no ano passado.

Mais homens do que mulheres

A nicotina continua, assim, a ser a substância mais vendida para a cessação tabágica, mas a vareniclina tem vindo a ser cada vez mais dispensada nas farmácias, com um total de 69 mil embalagens comercializadas em 2018. Um novo aumento do consumo, que se segue ao que já se tinha verificado no ano anterior. “De 2016 a 2017, a comparticipação já tinha feito quase duplicar as vendas, de 33 231 embalagens para 64 286”, nota o Infarmed. 

A maior parte das embalagens de medicamentos antitabágicos são adquiridas por homens (55%) e por pessoas entre os 40 e os 59 anos.