Uma corrida entre asiáticos e europeus

Na disputa pela próxima geração de redes móveis, estão em jogo empresas asiáticas e europeia. Mas os americanos querem ter algo a dizer no resultado.

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Reuters/THOMAS PETER

Os primeiros telemóveis compatíveis com 5G podem ter sido anunciados recentemente por marcas como a Huawei e a Samsung, mas esta é uma tecnologia que ainda vai demorar a chegar aos consumidores. Por ora, os operadores de telecomunicações estão a escolher quem vai fornecer a infra-estrutura da próxima geração de redes móveis. É uma corrida disputada sobretudo por uma mão-cheia de empresas europeias e asiáticas – e na qual os americanos se estão a esforçar por influenciar o resultado.

A chinesa Huawei é um dos peso-pesados no sector e, tal como a ZTE (outra fabricante com sede na China), tem relações antigas com operadores de telecomunicações em todo o mundo. As duas multinacionais fornecem há anos vários tipos de produto, desde equipamentos de rede domésticos e empresariais, até telemóveis, alguns dos quais vendidos com a marca dos próprios operadores.

Porém, as questões levantadas pelos EUA sobre a segurança e os eventuais riscos da ligação ao regime de Pequim deram alento aos rivais, que estão a aproveitar o facto de aquelas duas fabricantes terem sido barradas nos EUA, bem como na Austrália e no Japão (a Huawei foi ainda posta de fora das redes 5G na Nova Zelândia).

O espaço deixado pela rejeição da Huawei e da ZTE pelos EUA está dar mais margem de manobra a duas empresas europeias: a sueca Ericsson e a finlandesa Nokia (as infra-estruturas de comunicações são um dos grandes negócios desta empresa após a venda da divisão de telemóveis à Microsoft, há vários anos). Ambas já firmaram contratos com operadores americanos.

As desconfianças face às multinacionais chinesas está também a beneficiar a sul-coreana Samsung,  para quem as infra-estruturas de comunicações não são um negócio central, bem como algumas empresas americanas, como a Cisco.

Este é um mercado em crescimento. A analista IDC estima que as infra-estruturas de 5G venham a ser um negócio global de 26 mil milhões de dólares (23 mil milhões de euros) em 2022, um valor que é 49 vezes o estimado para 2018.

Naquele que foi o seu primeiro relatório sobre o sector, publicado no final do ano passado, a IDC não adiantou quotas de mercado, por considerar ser demasiado cedo para esse tipo de análise. É uma tarefa que é também dificultada pela confidencialidade dos negócios, pela estratégia de comunicação das empresas (que gostam de anunciar que são as primeiras a avançar para uma nova tecnologia) e pela profusão de acordos, contratos e testes que vêm a público. 

No final do ano passado, a Huawei anunciou que tinha fechado 25 contratos para fornecimento de equipamentos de rede 5G. Em Janeiro, esse número subiu para 30. Apenas três contratos foram na Ásia, ao passo que 18 foram feitos em países europeus, entre os quais está Portugal, onde os operadores têm defendido a empresa chinesa e avisado que a escolha de outro fornecedor atrasará a transição para a nova tecnologia.

A Ericsson anunciou até agora 14 contratos para o fornecimento de equipamento de 5G em vários países, incluindo cinco com operadores americanos. No mercado europeu, fechou contratos com a Vodafone no Reino Unido, bem como com operadores na Suíça, Itália e Noruega. Já a Nokia refere ter feito 70 acordos, em todos os continentes.

É uma corrida de fundo. A Gartner, uma analista de mercado, antecipa que a maioria dos fornecedores de serviços de telecomunicações só tenha uma infra-estrutura de 5G completa entre 2025 e 2030.

No universo das tecnologias 5G há também negócio para outros tipos de empresas. É o caso, por exemplo, das fabricantes de chips, como a americana Qualcomm, cujas invenções já foram cruciais para o desenvolvimento das redes 3G, que foram o padrão na década passada.