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Bouteflika candidata-se e manifestantes voltam à rua

Campanha do Presidente diz que, se vencer o quinto mandato na votação de Abril, Bouteflika convocará eleições antecipadas.

Bouteflika em 2014. Desde que sofreu um AVC em 2013, apareceu em público meia dúzia de vezes
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Bouteflika em 2014. Desde que sofreu um AVC em 2013, apareceu em público meia dúzia de vezes MOHAMED MESSARA/EPA
Argelinos protestam em Marselha contra um Presidente incapacitado
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Argelinos protestam em Marselha contra um Presidente incapacitado JEAN-PAUL PELISSIER/Reuters
Nas ruas de Argel os manifestantes pedem mudança após a confirmação da candidatura de Bouteflika
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Nas ruas de Argel os manifestantes pedem mudança após a confirmação da candidatura de Bouteflika MOHAMED MESSARA/EPA

Centenas de argelinos voltaram a manifestar-se contra a candidatura do actual Presidente, Abdelaziz Bouteflika, a um quinto mandato. O prazo para registo das candidaturas acabava no domingo e alguns esperavam que face à pressão dos últimos dias, com dezenas de milhares de pessoas nas ruas, o Presidente acabasse por não se candidatar.

E Bouteflika, que nos últimos anos raras vezes tem aparecido ou falado em público depois de um AVC que o terá deixado com capacidades diminuídas, não compareceu ele próprio para registar a sua candidatura, como exigiria a Comissão Eleitoral.

Em vez disso, o director de campanha Abdelghani Zalene fez o registo e anunciou que o Presidente de 82 anos irá convocar eleições antecipadas e nessa votação não irá concorrer.

Zlene leu uma carta que disse ter sido escrita por Bouteflika. “Ouvi os pedidos dos manifestantes e em especial dos milhares de jovens que perguntam pelo futuro da nossa nação”, dizia a carta.

“Estou empenhado na organização de uma eleição presidencial antecipada”, afirmava a missiva, acrescentando que a data seria decidida por uma “conferência nacional” após a votação de 18 de Abril. Promete “não ser candidato nessa eleição” e ainda levar a cabo nessa altura uma revisão da constituição.

Os manifestantes reagiram: acham que este anúncio “não tem significado nenhum” e exigem “mudança já”.

Bouteflika é tido como o responsável pelo fim da violência que marcou a guerra civil na Argélia (que entre 1992 a 2002 deixou entre 100 e 200 mil mortos e ainda 20 mil desaparecidos) e o garante da estabilidade no país. O espectro do regresso dessa violência, assim como o gasto dos lucros do petróleo em alguns programas sociais, manteve a sociedade argelina com pouca vontade de protestar.

Mas depois de um mandato em que Bouteflika mal apareceu – não fala em público há seis anos – muitos não estão dispostos a manter o que consideram ser “uma farsa” com um Presidente obviamente incapacitado para as suas funções.

O quadro com a cara de Bouteflika, que aparece nas cerimónias públicas em vez do Presidente ausente, tornou-se agora também um símbolo dos manifestantes, motivo de troça e protesto. 

As autoridades dizem que o Presidente viajou para Genebra, Suíça, no final de Fevereiro para “um check-up de rotina”.

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