Vereador da Educação da Câmara de Paredes acusado de plágio

Autarca do PS escreveu um artigo num jornal local no qual incluiu extractos de um documento do município de Vila Real sobre o conselho municipal de desporto

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Vereador da Câmara de Paredes é professor do ensino secundário Paulo Ricca

O vereador da Educação da Câmara de Paredes, Paulo Silva, decidiu criar um conselho municipal de desporto no seu concelho, convencido de que desta forma seria possível promover a “desejada aproximação” entre munícipes e eleitos. Só que para o fazer, denuncia a concelhia do CDS, o vereador do PS plagiou a proposta de regulamento do Conselho Municipal de Desporto de Vila Real, que foi criado há 15 anos.

O autarca, que é professor do ensino secundário, escreveu um texto sobre o assunto no jornal Progresso de Paredes, onde tem uma rubrica quinzenal, há quase duas décadas, segundo o próprio disse ao PÚBLICO. Com o título Dar a provar não é pecado, o texto, publicado no dia 1 de Fevereiro, começa exactamente da mesma maneira que o preâmbulo da proposta do Conselho Municipal de Desporto de Vila Real, transcrevendo na íntegra os primeiros quatro parágrafos.

O caso foi denunciado pelo vice-presidente da comissão política concelhia do CDS de Paredes, Jorge Ribeiro da Silva, e pouco tempo depois o artigo de opinião do autarca socialista era publicado nas redes sociais, agigantando-se, assim, a polémica.

Em comunicado, a comissão política concelhia do CDS de Paredes afirma que o “plágio do vereador da Educação da Câmara Municipal de Paredes desonra a imagem do município de Paredes”.

Questionado pelo PÚBLICO, Paulo Silva desvaloriza o que aconteceu e critica os “ataques cobardes levados a cabo por perfis falsos [nas redes sociais]”.“Não considero que tenha tido culpa”, diz, explicando: “Pedi a um colaborador que trabalha comigo para me fazer um rascunho que era para ser usado como suporte de um documento nosso e ele apresentou-me um preâmbulo sobre o conselho municipal de desporto”. “Não lhe perguntei se aquilo era nosso, se podia usar, isso não perguntei”, justificou.

Estes mesmos argumentos foram usados na sua habitual rubrica quinzenal no Progresso de Paredes, onde Paulo Silva se explica, lamentando o que sucedeu com o seu último artigo. “A verdade é que, infelizmente, e sem nenhuma intencionalidade, apercebi-me de que plagiei um parágrafo de um texto publicado na página do município de Vila Real. Obviamente que o erro foi meu, pois fui eu que publiquei o texto”, assume o autarca, que tutela também a área da Juventude e do Desporto.

“Nos últimos tempos, desde que assumi as funções de vereador, o tempo não é tanto quanto o desejado. Assim, tinha solicitado a um colaborador próximo o favor de me apresentar a proposta de um conselho municipal de desporto, órgão que considero relevante vir a criar. O mesmo apresentou-me um conjunto de sugestões e decidi usar a introdução de um deles sem o questionar se era já a versão definitiva do mesmo ou apenas um levantamento de exemplos e outros locais. Não me certifiquei e errei. Aos leitores, director do jornal e administradores peço desculpas pelo sucedido”, escreve Paulo Silva no seu texto intitulado Temos dias assim.

O CDS de Paredes diz que “estas declarações envergonham todos os paredenses” e considera “inadmissível que o executivo socialista não se demarque deste acontecimento ou que o senhor vereador Paulo Silva não peça desculpas públicas e formais à população”.

Denúncias com plágio são recorrentes na política. Em Outubro de 2014, o então secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, João Granjo, demitiu-se no mesmo dia em que o PÚBLICO noticiou que o governante, em 2007, e enquanto presidente da Associação Nacional de Professores, plagiou textos produzidos por autores académicos sobre temas como deontologia profissional e formação inicial de professores, dos quais retirou extractos para usar num texto, sem citar os autores, que terá estado na base da sua intervenção, num seminário, em Múrcia, Espanha, dedicado ao tema “A dimensão moral da profissão docente”.