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Entre os EUA e o México, há jovens a jogar ténis para derrubar muros

Na fronteira entre os Estados Unidos e o México, há crianças e jovens adultos que integram um programa que usa o ensino do ténis como um elo de ligação entre as comunidades fronteiriças. O BYTE quer melhorar a qualidade de vida dos miúdos através do desporto e da educação.

Num campo de ténis improvisado na fronteira dos Estados Unidos da América com o México, Marilu Portillo pratica o seu forehand à sombra de uma parede. "Quando olho para trás claro que vejo o muro e todo o arame que acabam de colocar e isso deixa-me triste", disse a jovem de 13 anos à CBS News.

Marilu integra um programa escolar vocacionado para o ensino de ténis em Nogales, Arizona, e do outro lado da fronteira em Nogales, México. O Border Youth Tennis Exchange (BYTE) é uma iniciativa binacional que oferece treinos e programas académicos a jovens de ambos os lados da fronteira. Segundo o site do projecto, o programa "também se esforça por unir os seus atletas através de projectos partilhados e eventos internacionais em comunidades com poucos recursos".

O BYTE opera especificamente entre quatro locais: o Boys & Girls Clubem Santa Cruz, Arizona, o centro comunitário de jovens mexicanos Don Bosco, um orfanato mexicano chamado Casa Hogar para as Mulheres Conchita e um abrigo infantil chamado Desarollo Integral para la Familia, também no México. Além da vertente desportiva, a organização oferece a todos os jovens a possibilidade de se inscreverem num dos cursos disponíveis. Storytelling digital, ciência, tecnologia, engenharia, arte e matemática, empoderamento feminino e violência de género são alguns dos temas.

No lado do México, a organização trabalha sobretudo com crianças de orfanatos a abrigos. "Este programa é muito importante porque podemos dar-lhes oportunidades educativas e acesso a praticar um desporto que nunca jogaram antes", sublinha Roberto Burboa, director de ténis do BYTE no México, num vídeo publicado no canal de YouTube da organização.

A esperança do treinador é que um dia as crianças consigam manter uma família e um trabalho e deixar para trás os perigos das ruas. Burboa realça a importância de um projecto dos dois lados do muro e do impacto que tem em quem participa. "É uma experiência muito bonita para mim porque nasci aqui e foi esta comunidade que me ajudou a jogar ténis, e agora tenho a oportunidade de fazer o mesmo por estas crianças."

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Uma foto dos alunos onde é possível ver o muro que separa os Estados Unidos do México BYTE

A organização tenta também desmistificar a ideia de que as comunidades junto à fronteira são zonas perigosas e muito afectadas pelo narcotráfico: "Pela nossa experiência, encontramos o oposto", escrevem no site do projecto. "As nossas comunidades estão cheias de pessoas vibrantes, brilhantes e inovadoras que trabalham juntas para resolver problemas causados ​​por factores externos."

A tecnologia, em particular os tablets, são uma parte importante no processo de comunicação entre os dois grupos. "São as ferramentas que usamos para ensinar as crianças a editar fotos ou a fazer os seus próprios vídeos, por exemplo, mas também nos fornecem uma plataforma para que os dois grupos de cada lado da fronteira possam comunicar entre si e trocar experiências", diz Stefanie Tenanhaus, a directora de operações do BYTE, no canal da associação. 

O BYTE também faz parte da National Junior Tennis and Learning, uma rede de desporto que inclui mais de 350 organizações comunitárias de ténis que oferecem programação desportiva e educação gratuita ou de baixo custo a mais de 225 mil jovens com baixos rendimentos nos Estados Unidos da América.