New Yorker revela mentiras do autor do best-seller A Rapariga à Janela

Dan Mallory, autor de A Rapariga à Janela, admitiu ter inventado sofrer de cancro depois de a revista norte-americana New Yorker ter exposto um historial de mentiras.

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O autor mentiu sobre o seu estado de saúde e a suposta morte de familiares ao candidatar-se a cursos na Universidade de Oxford, no Reino Unido Reuters

Dan Mallory, o homem por trás do pseudónimo A.J. Finn, ficou conhecido em 2018 com o best-seller literário internacional A Rapariga à Janela, onde conta a vida de uma mulher que tem medo de sair à rua e que, à janela de casa, passa os dias a observar os vizinhos. E 2019 parecia ser um ano promissor em boas notícias para o escritor, com a estreia agendada da adaptação do seu livro ao cinema, pela mão realizador Joe Wright. Até que, esta semana, a revista norte-americana New Yorker revelou que Dan Mallory mentiu repetidamente, ao longo de vários anos, acerca do seu estado de saúde, bem como sobre as suas habilitações académicas, para obter vantagens pessoais e profissionais.

Segundo a revista, o escritor norte-americano referiu ter cancro no cérebro quando se candidatou à Universidade de Oxford, no Reino Unido. Posteriormente, disse a várias pessoas que tinha concluído um doutoramento naquela universidade britânica, apesar de a instituição afirmar que Mallory apenas concluiu um mestrado em 2004.

A revista norte-americana confirmou ainda que os pais e irmãos do escritor se encontram vivos, desmentindo o que Mallory afirmou em várias ocasiões, inventando que a mãe teria morrido de cancro e que o irmão se tinha suicidado. Esta mentira tinha sido utilizada por Mallory quando, ao candidatar-se a um doutoramento em Oxford, tentou justificar a classificação menos boa que tinha obtido no mestrado feito na mesma instituição.

As mentiras do escritor tiveram também como alvo os grupos editoriais onde trabalhou, tanto em Londres como Nova Iorque. Segundo o jornal The Guardian, o escritor disse ter cancro a vários colegas enquanto trabalhava na editora Little, Brown em Londres, entre 2009 e 2012, tentando justificar assim as longas ausências do seu posto de trabalho.

New Yorker revela ainda que Mallory exagerou o seu percurso profissional, tendo dito na sua entrevista de emprego para a londrina Little, Brown que tinha sido editor na norte-americana Ballantine, onde apenas teve um cargo de assistente.

Numa resposta ao artigo da New Yorker, Mallory confirmou que mentiu acerca do seu estado de saúde, justificando que recorreu à mentira para ocultar a sua luta contra um transtorno bipolar.

“Em várias ocasiões no passado, inventei, insinuei ou permiti que outras pessoas acreditassem que eu tinha uma doença física em vez de emocional: como o cancro. A minha mãe lutou contra um cancro da mama quando eu era jovem; foi uma experiência da minha adolescência que era sinónimo de dor, pânico. Eu sinto-me profundamente envergonhado pelas minhas batalhas psicológicas – elas são o meu segredo mais sensível e assustador”, diz o escritor, que refere receber ajuda psicológica há 15 anos.

O autor disse ainda que, como muitas pessoas que sofrem transtornos bipolares, sofreu “depressões esmagadoras, pensamentos delirantes, obsessões mórbidas e problemas de memória”. “Tem sido horrível porque, na minha aflição, eu fiz, disse ou acreditei em coisas que eu nunca teria dito, ou feito ou acreditado. Coisas das quais, em várias circunstâncias, não tenho lembrança nenhuma”.