Poroshenko quer pedir adesão da Ucrânia à UE em 2024

Presidente ucraniano apresentou recandidatura às eleições de Março, para as quais parte com uma popularidade muito baixa.

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Poroshenko é Presidente desde 2014 e procura mais um mandato EPA/SERGEY DOLZHENKO

O Presidente ucraniano, Petro Poroshenko, quer que a Ucrânia inicie o processo de adesão à União Europeia dentro de cinco anos e fará disso uma prioridade. A revelação foi feita esta terça-feira durante a apresentação da sua recandidatura às eleições de Março.

O milionário pró-europeu justificou a sua recandidatura com o “sentimento de profunda responsabilidade perante o país e perante as gerações passadas e futuras”.

Poroshenko chegou ao poder em 2014, depois do derrube do ex-Presidente Viktor Ianukovitch, na sequência dos protestos na Praça de Independência em Kiev. Desde então, o mandato do empresário tem-se dividido entre a guerra que trava para recuperar o controlo sobre as regiões no Leste ucraniano ocupadas por militantes pró-russos e a aproximação à União Europeia e à NATO.

No entanto, não se prevê que a reeleição seja uma tarefa fácil para Poroshenko, cuja taxa de aprovação tem caído ao mesmo ritmo que as condições de vida dos ucranianos. O Presidente é também encarado como pouco actuante face à elevada corrupção, que a maioria da população considera causa do seu empobrecimento.

Para tentar contornar as críticas, Poroshenko anunciou que uma das suas prioridades, caso seja reeleito, será a criação de um tribunal concentrado apenas em casos de corrupção.

O líder ucraniano pretende mostrar-se como o candidato que colocou o país na rota do Ocidente. Para isso, aponta 2024 como o ano em que a Ucrânia irá pedir a adesão à UE, embora a generalidade dos analistas encare qualquer perspectiva de integração a curto prazo como altamente improvável.

“Quero pedir aos eleitores um mandato para assegurar a irreversibilidade da integração europeia e euro-atlântica do país e a nossa independência, bem como da restauração da integridade territorial da Ucrânia, fazer regressar a paz e completar a construção de um Estado forte e capaz de oferecer prosperidade a todos os ucranianos”, afirmou.

A falta de progressos na guerra, a queda das condições de vida e a percepção de que a corrupção continua a corroer as instituições públicas, têm deixado os ucranianos muito descontentes com a classe política que emergiu dos protestos na Praça da Independência. Uma sondagem publicada em Dezembro, citada pela Reuters, mostrava que 70% dos ucranianos acredita que o país está no rumo errado.

Uma das poucas vitórias alcançadas por Poroshenko foi a criação e o reconhecimento da Igreja Ortodoxa Ucraniana, que cortou os laços ao Patriarcado de Moscovo.

A grande adversária de Poroshenko está, no entanto, longe de ser uma cara nova na política ucraniana. As sondagens dão vantagem a Julia Timochenko, antiga primeira-ministra e ex-candidata presidencial, que apresentou a sua candidatura na semana passada.