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“Não vai fazer sentido comprar um carro a gasóleo”, diz ministro do Ambiente

Matos Fernandes diz que não faz sentido comprar carro a gasóleo. "Hoje é muito evidente que quem comprar um carro a diesel muito provavelmente daqui a quatro ou cinco anos não vai ter grande valor na sua troca".

João Pedro Matos Fernandes, ministro do Ambiente
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João Pedro Matos Fernandes, ministro do Ambiente Nelson Garrido

Na entrevista que concedeu ao Jornal de Negócios e à Antena 1, o ministro do Ambiente defendeu que, “na próxima década, não vai fazer sentido comprar um carro a gasóleo”. João Pedro Matos Fernandes explica esta afirmação, dizendo que “já serão muito próximos os valores de aquisição de um carro eléctrico” e que neste, “se for carregado em casa, o preço do quilómetro fica a 15%”.

Matos Fernandes afirma mesmo que “hoje é muito evidente que quem comprar um carro [de motor] diesel muito provavelmente daqui a quatro ou cinco anos não vai ter grande valor na sua troca”.

Na entrevista, o ministro não abriu a possibilidade de aumento dos apoios públicos à aquisição de veículos eléctricos, defendendo que os 2250 euros de subsídio por cada veículo novo, são, em comparação com o que acontece nos outros países, uma ajuda substancial. Neste momento, 4% dos veículos que entram no mercado de ligeiros são eléctricos ou híbridos, um aumento face aos 0,7% de há quatro anos.

Situação de “seca fraca” em 14% do país

O risco de seca que se regista neste momento no país é muito menor do que aquele que se verificava na mesma altura do ano anterior, salientou o ministro do Ambiente, alertando contudo que “estas coisas invertem-se muito rapidamente”.

Matos Fernandes revela que, actualmente, 14% do território português se encontra em “seca fraca”. Embora considerando este dado “preocupante”, o ministro assinala que “a situação deste ano, à data, não tem comparação com a de 2018”, quando, “por esta altura 96% do território estava em seca moderada, severa ou extrema”.

Em 2018, o mês de Março acabou por ser de chuva forte, permitindo uma melhoria da situação. Para este ano, afirma Matos Fernandes, existe “uma forte expectativa meteorológica que Fevereiro vai ser um mês em que vai chover muito”.

Mesmo afirmando que o risco de seca “é muito menor à data de hoje”, o ministro avisa que “estas coisas invertem-se muito depressa, tanto num sentido como noutro” e que, por isso, estão agendadas reuniões no próximo mês para planear as regas agrícolas que poderão ser feitas durante o Verão.

No início do mês, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera tinha anunciado que 53,3% do país se encontrava em situação de seca fraca na sequência de um mês de Dezembro quente e com pouca chuva.

Na entrevista, Matos Fernandes não adiantou qualquer intenção política relativamente aos preços das casas. Tornar a água mais cara em períodos de seca, disse “é uma proposta para ser aplicada em 2021”, para relativamente à qual “é prematuro fazer comentários”. Movimentos de preço no sentido contrário são recusados. “Terei sempre uma grande dificuldade que alguém me diga que porque há pouca água e temos de regar, a água deve ser mais barata”.