Torne-se perito

Taxa de mortalidade infantil aumentou em 2018. É preciso apurar causas

Em 2018, morreram mais 60 crianças até um ano de idade do que no ano anterior, mas taxa de mortalidade foi semelhante à de 2016, frisa a Direcção-Geral da Saúde. Bastonário da Ordem dos Médicos reclama análise das causas dos óbitos.

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Nelson Garrido

A taxa de mortalidade infantil aumentou no ano passado. Em 2018, o número de mortes de crianças até um ano de idade por cada mil nados-vivos subiu para 3,28 quando, no ano anterior, tinha sido de 2,69, o valor mais baixo dos últimos anos. Foram mais 60 óbitos do que em 2017, quando morreram 229 crianças no primeiro ano de vida. Considerando estes dados "preocupantes", o bastonário da Ordem dos Médicos reclama que a Direcção-Geral da Saúde (DGS) analise as causas das mortes.

O “número de mortes infantis em 2018 (dados provisórios) não se reflecte de forma relevante na taxa de mortalidade infantil uma vez que também se verificaram mais nados-vivos”, enfatiza, porém, a DGS em comunicado, lembrando ainda que o valor do ano passado é “similar ao verificado em 2016”.

A directora-geral da Saúde, Graça Freitas, que assina o comunicado, contextualiza desta forma os dados da mortalidade infantil em 2018, depois de o Correio da Manhã ter adiantado que no ano passado morreram 289 crianças até um ano de idade, mais seis dezenas do que no ano anterior, ou seja, um aumento de 26%, em números brutos.

Frisando que desde 1965 se tem verificado "uma diminuição acentuada" neste indicador, Graça Freitas recorda que a taxa de mortalidade infantil estabilizou, desde 2013, “nos 3 óbitos por mil nados-vivos”. Acentua igualmente que, em 2016, morreram 282 crianças no primeiro ano de vida, uma taxa de 3,24 por mil nados-vivos, números que permitiam a Portugal situar-se então “entre os melhores do países” da União Europeia, inferior à média (3,6).

Sobre eventuais motivos que justifiquem o aumento verificado em 2018 face a 2017, a DGS nada adianta, notando que os dados são ainda provisórios.

Considerando que os números são “preocupantes”, o bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Miguel Guimarães reclama, em nota à imprensa, que a DGS “finalize rapidamente o seu relatório para podermos obter as conclusões finais das causas de morte, para avaliar e actuar sobre este problema”.

"Sabemos que o aumento da idade média da maternidade e o maior recurso a tratamentos de fertilidade podem ter algum impacto negativo na mortalidade infantil. Ainda assim, este aumento merece uma rápida análise por parte do Ministério da Saúde para evitar um clima de desconfiança dos utentes em relação ao sistema de saúde”, afirma Miguel Guimarães.

Já o presidente do colégio de Pediatria da Ordem dos Médicos defende que é necessário esperar e avaliar com maior rigor estes dados. Jorge Amil Dias recordou, em declarações à Antena Um, que Portugal tem sido apontado como um exemplo nesta área e defendeu que ainda é cedo para retirar conclusões, frisando que é necessário, primeiro, avaliar o que aconteceu.