As soluções para o Facebook de Roger McNamee

Quando faltam poucos dias para o lançamento do seu livro Zucked: Waking Up to the Facebook Catastrophe, o investidor de Silicon Valley, que no início do Facebook foi conselheiro de Mark Zuckerberg, vê a revista norte-americana Time dar-lhe capa, com um dossier que inclui uma pré-publicação de um excerto do seu livro.

Roger McNamee
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“[O Facebook] tem os vossos dados. Sabe quem são os vossos amigos. Tem os vossos cartões de crédito. Ouve as vossas conversas. Segue-vos por todo o lado. E vocês não conseguem passar um dia sem ele. Eu ajudei a criar esta trapalhada. Aqui está a solução para concertá-lo”, alerta Roger McNamee. Quando faltam poucos dias para o lançamento do seu livro Zucked: Waking Up to the Facebook Catastrophe, que vai ser publicado pela Penguin Random House no dia 5 de Fevereiro, o investidor de Silicon Valley, que no início do Facebook foi conselheiro de Mark Zuckerberg, vê a revista norte-americana Time dar-lhe capa, com um dossier que inclui uma pré-publicação de um excerto do seu livro.

Nele, Roger McNamee que co-fundou com Bono, dos U2, a empresa Elevation e foi consultor técnico da série da HBO, Silicon Valley, conta que poucos dias antes das eleições norte-americanas em 2016 enviou um email para Mark Zuckerberg e para Sheryl Sandberg, a chefe de operações do Facebook. Dizia-lhes que estava triste com as coisas graves que a empresa andava a fazer e que não lhes podia continuar a desculpar aquele comportamento. 

“O sucesso massivo do Facebook tê-lo-á levado para a catástrofe. O modelo de negócio depende da publicidade, que por sua vez depende da manipulação da atenção dos seus utilizadores para verem mais anúncios. Os algoritmos do Facebook dão às pessoas o que elas querem, por isso o feed de notícias de cada pessoa no Facebook torna-se uma realidade única, um filtro que cria uma bolha de ilusão dando-lhe a ideia de que todos os seus amigos acreditam nas mesmas coisas. Mostrar às pessoas aquilo com que elas concordam serviu os objectivos do Facebook mas alguma investigação mostrou que também aumentou a polarização e, como aprendemos, afectou a democracia”, escreve. E defende que a solução está em reformar-se o modelo de negócio destas grandes empresas tecnológicas para se conseguir reduzir os danos que provocam à democracia. Para ele os consumidores têm de ser donos dos seus dados e têm de poder controlá-los.

É precisamente esse o ponto que Tim Cook, um dos outros autores deste dossier da Time, defende no texto “Precisamos de novas leis de privacidade”. O CEO da Apple diz que os consumidores não devem ter de tolerar mais um ano incapazes de controlarem as suas vidas digitais. “Em 2019, é tempo de se lutar pelo direito à privacidade — a sua, a minha, a de todos”. 

Por isso está a trabalhar para que o Congresso norte-americano aprove legislação sobre privacidade e acredita que “o problema é resolúvel — e que não é demasiado grande, nem demasiado desafiante nem demasiado tarde.” 

Também Donald Graham, que foi durante anos o director executivo do Washington Post, defende num texto que “o Facebook vai conseguir recompor-se”. Graham acredita que o Facebook está “a lidar com os problemas da única maneira possível”, isto é, “aceitando a responsabilidade toda”. Vê-os a fazer um esforço para voltarem “à missão inicial” e “da maneira certa”. Aposta até que as mudanças que Mark Zuckerberg e a sua equipa estão a fazer vão ser mais importantes do que qualquer lei governamental, que na sua opinião poderá até atrasar as empresas de tecnologia americanas e dar benefícios às empresas concorrentes chinesas. “É difícil perceber de que forma a regulação poderá controlar o discurso no Facebook sem controlar o da revista Time — ou o vosso”.

O Facebook, contactado pela Time, não quis responder e remeteu a revista para um post de 2018 onde Sheryl Sandberg explica o que estão a tentar fazer.