Opinião

Apelo ao sentido de Estado dos conselheiros nacionais do PSD

Aqueles que agora dizem que “é preciso salvar o PSD do abismo” não têm a noção do prejuízo que já causaram por estes dias!

O PSD, ao longo de quase 45 anos, fortaleceu a democracia, colocando à sua disposição várias gerações de homens bons, desde militantes de base anónimos a primeiros-ministros corajosos, de autarcas discretos a presidentes de câmaras municipais marcantes, de deputados calorosos a presidentes da Assembleia da República humanistas, de líderes de governos regionais singulares a presidentes da República verticais.

Historicamente, o PSD é um partido interclassista, que cobre todo o espectro social: de operários a empresários, de comerciantes a professores universitários, de agricultores a cientistas, de empreendedores a funcionários públicos. Mesmo que do ponto de vista ideológico há quem veja nisto uma amálgama complexa, devemos, pelo contrário, encontrar nesta mundividência uma singularidade característica. O PSD é, por isso, um partido do povo, indispensável no panorama político nacional.

Tal como é indispensável que o dr. Rui Rio continue a ser o líder do PSD, por ser um dos poucos políticos que pode provocar um abanão no nosso sistema minado e de injustiças gritantes, exactamente a mesmíssima pessoa que enfrentou poderes instalados na cidade do Porto, lutou pelos mais desfavorecidos e abriu as portas da cidade a um mundo cosmopolita e global.

Aqueles que agora dizem que “é preciso salvar o PSD do abismo” não têm a noção do prejuízo que já causaram ao partido por estes dias! Não se recordam do estado em que deixaram o PSD quando, nas eleições autárquicas de 2017, foram os responsáveis por remeter o PSD para a irrelevância em Lisboa e no Porto? Regem-se apenas pelas sondagens, sem concederem sequer o direito legítimo da actual direcção de ser julgada em eleições pelo povo.

Acusam o líder do PSD de não saber incluir, mas quem foi que promoveu uma lista de unidade no conselho nacional, juntando os companheiros derrotados nas últimas directas? Quem é que, no espaço de um ano, apresentou documentos notáveis sobre problemas sérios que estruturalmente apontam soluções para o país – demografia, saúde, fundos estruturais, ensino superior e União Económica e Monetária?

Qual é a “grave e brutal” alteração de circunstâncias a que se referiu o dr. Luís Montenegro na mensagem, que o militante n.º 1 e fundador do PSD qualificou de “conteúdo um pouco melodramático ou patético”?

Esta crise extemporânea, espoletada a pouco mais de quatro meses de eleições europeias e a menos de nove meses de legislativas, tem um pretexto grosseiro na sua génese e traduz uma tentativa desesperada de um conjunto de agitadores da política de salvarem os lugares da clique, os mesmos que nunca deram tréguas ao 18.º líder democraticamente eleito.

Portugal é hoje um país com uma governação anestesiada. No seu íntimo, os portugueses sabem que os foguetes de António Costa não batem certo com os problemas reais do país, ainda por resolver. Continuamos com uma dívida que se prolongará por várias gerações, ainda mais num contexto em que a renovação geracional se encontra seriamente comprometida. Continuamos a ter dois milhões de pobres. Somos ainda um Estado na cauda da Europa, com contas públicas frágeis e uma economia anémica.

Cabe hoje aos conselheiros nacionais decidir o futuro próximo do PSD e dos portugueses.

Podem acusar o dr. Rui Rio do que quiserem, pois não há oposição perfeita. Porém, aqueles que desencadearam esta tentativa voraz de assalto ao poder nunca chegarão aos calcanhares deste homem sério, corajoso e genuíno.

O dr. Rui Rio é um dos homens bons do meu país e é com ele que estarei para lá de Janeiro de 2019, como estava antes de Janeiro de 2018 e foi, por isso, que aceitei ser vice-presidente da comissão política nacional, porque conheço o seu profundo sentido de Estado e da sua dedicação ilimitada à causa pública.

Os olhos dos portugueses estarão hoje postos na decisão dos conselheiros nacionais do Partido Social Democrata, que têm o dever de mostrar igual sentido de Estado, na reflexão fundamental de que políticos temos muitos, mas que são poucos os líderes de moral e de carácter!