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Rio ataca críticos, mas promete "acentuar" oposição ao Governo

Líder do PSD dramatizou com uma "derrota na certa" se o partido continuar na instabilidade

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Rio diz que a sua direcção tem de ter oportunidade para trabalhar Nelson Garrido

Em 18 minutos, Rui Rio atacou os críticos e desafiadores da sua liderança – Luís Montenegro e Pedro Duarte - rebateu o argumento da impopularidade nas sondagens mas prometeu “acentuar a oposição” e construir uma “alternativa ao Governo”. O líder do PSD parecia responder, assim, a Luís Montenegro, que disse não ver neste PSD uma alternativa a António Costa. É o que falta fazer, contrapôs Rui Rio. “Temos de criar as condições para ganhar. Construir uma verdadeira alternativa a governação socialista. Com a guerrilha que temos tido e o terramoto que estamos aqui a resolver não é atingido aquilo que está ao nosso alcance”, disse na intervenção inicial no conselho nacional extraordinário do PSD, a decorrer esta quinta-feira no Porto. 

A reunião é fechada à comunicação social, mas o discurso de arranque da reunião, que irá votar uma moção de confiança, foi disponibilizado horas depois pela via oficial nas redes sociais

Apelando à "maturidade e sentido de responsabilidade", o líder do PSD acenou com a “derrota na certa” se o caminho do partido for o da instabilidade interna. É que, na perspectiva de Rio, o Governo já se “colocou em posição de perder as eleições”, ao ser confrontado com a "degradação" dos serviços públicos, com "proliferação de greves" e com um "descontentamento generalizado".

Mas antes da dramatização, Rui Rio disse nunca ter andado em “manobras de corredores” e a conspirar. Depois debruçou-se longamente sobre o argumento das sondagens, que considera ser um dos principais pontos da sua oposição interna. Lembrou os 23% que Passos Coelho chegou a ter e até percentagens de 1991 de Cavaco Silva para argumentar que as sondagens erram. “Não faltam os que são muito melhores em sondagens do que em eleições, eu sou melhor em eleições do que em sondagens”, disse, recebendo uma salva de palmas, o que foi acontecendo ao longo da intervenção.

Rio não poupou Luís Montenegro – sem o nomear – ao acusar quem há ano não teve “coragem” para ir a votos no PSD e sugeriu que o ex-líder parlamentar não ganha eleições. Com Montenegro ausente da sala, foi um seu amigo, Joaquim Pinto Moreira, presidente da câmara de Espinho, que saiu em defesa do ex-líder da bancada. 

Para Pedro Duarte, que desafiou a liderança de Rio no Verão passado, o líder do PSD também tinha um recado: Apontou a incoerência por criticar a actual direcção por não ter ainda apresentado candidatos às europeias e depois defender que o partido deve mergulhar numa campanha interna. “Mais maturidade nos comportamentos e nas críticas”, exigiu.

Assumindo que não é líder do PSD por ambição ou vaidade pessoal, Rio qualificou de várias formas o resultado do movimento de defensores das directas: um “tsunami”, “espectáculo de prime-time para António Costa” e um “frete ao PS”.

Recusando ir para directas – como desafiou Luís Montenegro – Rio sustentou, em tom de lamento, que demitir a comissão política nacional a meio do mandato seria não dar “uma oportunidade para trabalhar”. E queixou-se do clima de “guerrilha interna” desde o dia em que a direcção tomou posse, faz esta quinta-feira 11 meses. "Não seria correcto e justo" demitir a direcção, rematou.

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