Sete mortos em novo ataque na província moçambicana de Cabo Delgado

Os ataques têm acontecido fora da zona de implantação da fábrica e outras infra-estruturas das empresas petrolíferas que vão explorar gás natural na península de Afung.

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Camião atacado em Macomia, Cabo Delgado António Silva/Lusa

Sete pessoas morreram e outras sete ficaram feridas num novo ataque de grupos armados desconhecidos na província de Cabo Delgado, Norte de Moçambique, disseram hoje à Lusa fontes locais.

O ataque aconteceu no domingo no posto administrativo de Mpundanhar, quando um grupo armado interceptou uma carinha caixa aberta que transportava passageiros numa estrada que liga Palma e Mpundanhar.

Depois de disparar contra a carinha para obrigar o motorista a parar, o grupo obrigou os passageiros a descerem, para momentos depois atacá-los com recurso a catanas e outros instrumentos contundentes, explicaram diferentes fontes ouvidas hoje pela Lusa.

No total, sete pessoas morreram, entre elas o motorista, que foi decapitado pelo grupo até agora desconhecido, e seis mulheres. Segundo as fontes, as mulheres podem ter sido violadas antes serem assassinadas.

A Lusa contactou o porta-voz da Polícia da República de Moçambique em Cabo Delgado, Augusto Guta, que remeteu para esta segunda-feira uma posição sobre o caso.

Distritos recônditos da província de Cabo Delgado, no extremo nordeste do país, têm sido alvo de ataques de grupos desconhecidos desde Outubro de 2017. A onda de violência na região começou após um ataque a postos de polícia de Mocímboa da Praia.

Depois de Mocímboa da Praia, têm ocorrido dezenas de ataques que se suspeita estarem relacionados com o mesmo tipo de grupo.

Os ataques têm acontecido fora da zona de implantação da fábrica e outras infra-estruturas das empresas petrolíferas que vão explorar gás natural na península de Afungi, distrito de Palma, e cujas obras estão a avançar. 

De acordo com números oficiais, cerca de 100 pessoas, entre residentes, agressores e elementos das forças de segurança, morreram desde que a onda de violência começou naquela zona do país.

Na semana passada, o Ministério Público de Moçambique juntou mais cinco nomes à lista de cerca de 200 pessoas acusadas da autoria dos ataques armados em Cabo Delgado, segundo a acusação, a que a Lusa teve acesso.

Na acusação, que data de 24 de dezembro, o empresário sul-africano Andre Hanekom, de 60 anos, é apontado como "financiador, logístico e coordenador dos ataques", cujo objectivo é "criar instabilidade e impedir a exploração de gás natural na província" de Cabo Delgado, a cerca de dois mil quilómetros a norte de Maputo, no extremo norte de Moçambique, junto à Tanzânia.

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