Edgar Castrejon/Unsplash
Foto
Edgar Castrejon/Unsplash

E se, durante um mês, fosses vegetariano?

Como adoptar uma alimentação sustentável “sem gastar tempo, dinheiro e mantendo o prazer da comida”? O Desafio Vegetariano explica — e lança o repto a todos os que querem viver um mês sem consumir produtos de origem animal.

Eliminar produtos de origem animal do regime alimentar, durante um mês, tem feito parte das resoluções de ano novo de cada vez mais pessoas, um pouco por todo o mundo: a prova está no número cada vez maior de participantes em movimentos como o Veganuary, agora com uma versão em português. O Desafio Vegetariano é válido para todo o ano e a premissa é simples: seguir uma alimentação 100% vegetariana durante um mês, com o apoio dos membros do movimento, que partilham dicas sobre alimentação sustentável, simples e barata, ao mesmo tempo que desmistificam algumas ideias erradas sobre o vegetarianismo. Tudo de forma gratuita e descomprometida.

“Cada vez há mais pessoas a demonstrar vontade de transformar os seus hábitos alimentares em hábitos mais saudáveis, sustentáveis e, acima de tudo, mais éticos. Só não dão esse passo por não saberem bem como, até porque há ainda muitos mitos sobre a alimentação de base vegetal”, conta João Galvão, coordenador do movimento, ao P3.

Foi assim que, no final de 2017, um grupo de amigos que “partilham preocupações ambientais, alimentares e humanísticas” criou o Desafio Vegetariano — uma alternativa, em português, ao Veganuary, o movimento internacional que desafia as pessoas a aderirem ao veganismo durante o mês de Janeiro.

Receitas, palestras, documentários e workshops são algumas das acções elaboradas pelos membros do Desafio Vegetariano. “Promovemos todo e qualquer evento que esteja relacionado com a desmistificação da alimentação vegetariana: as vantagens, necessidade, importância e facilidade em mantermos os sabores da comida tradicional a que estamos habituados”, acrescenta.

Mas este desafio vai além da alimentação. “Estamos a trabalhar em parceria com várias organizações de activismo, de protecção, recolha e adopção de animais e de protecção ambiental que utilizam o [nosso] projecto como referência para ajudar a mudança na alimentação”, diz o coordenador.

Com mais de 400 inscritos só nos primeiros dois dias de 2019, o Desafio Vegetariano contou com 2500 participantes em 2018. Lá fora, os números são outros: só no último domingo, 30 de Dezembro, mais de 14.000 pessoas inscreveram-se no Veganuary, relatou Rich Hardy, um dos responsáveis pelo movimento internacional, ao The Guardian.

Criado há cinco anos, o Veganuary já teve mais de 250.000 participantes em 193 países. Os estudos recentes que alertam para o custo ambiental do consumo de carne são, segundo Rich Hardy, uma justificação para o crescimento no número de inscritos ano após ano.

Em Portugal, a tendência crescente do vegetarianismo tem-se reflectido em mais oferta de produtos vegan e vegetarianos nas mercearias e supermercados e mais restaurantes especializados