Socorristas tentam encontrar sobreviventes do tsunami na Indonésia

Numa actualização feita na manhã desta segunda-feira pela agência para a gestão de desastres da Indonésia, o tsunami provocou 373 mortos, mais de 1400 feridos e 128 estão ainda desaparecidos. O número de mortos irá provavelmente aumentar. 2018 é um dos piores anos de desastres no país já há mais de uma década.

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Operações de resgate em South Lampung, em Samatra ANTARA FOTO/Reuters
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Praia de Tanjung Lesung, umdos locais mais afectados ANTARA FOTO/Reuters
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Estragos em Anyer, na ilha de Java DIAN TRIYULI HANDOKO/EPA

Um tsunami devastou grandes partes de zonas costeiras nas duas ilhas com mais população da Indonésia, deixando pelo menos 373 mortos e mais de 1400 feridos, numa actualização feita na manhã desta segunda-feira: "Temos 1459 pessoas feridas e 128 encontram-se desaparecidas", confirmou Sutopo Purwo Nugroho, porta-voz da agência para a gestão de desastres da Indonésia. Vários responsáveis, incluindo o vice-presidente, Jusuf Kalla, avisaram que o número de mortos irá provavelmente aumentar. 

A onda de cerca de três metros atingiu, sem aviso, várias zonas da costa pelas 21h30, hora local, de sábado. Nas horas seguintes, socorristas procuravam sobreviventes em zonas arrasadas, onde se viam sobretudo destroços, pedaços de madeira, metal e plástico amontoados entre alguns edifícios em pé.

Algumas estradas e ruas estavam cortadas pelos destroços caídos, dificultando as operações de resgate e um quadro definido da magnitude do desastre.

Um vídeo amador captou o momento em que a onda atingiu o espectáculo de uma banda chamada Seventeen na praia de Tanjung Lesung, em Java, uma zona que é habitualmente visitada por habitantes da capital, Jacarta. No segundo tema do concerto, vê-se o palco desmoronar-se e ser arrastado, junto com uma série de pessoas em mesas e cadeiras na assistência.

O baixista e o manager da banda morreram, e vários elementos estavam ainda desaparecidos no domingo à noite. Entre a banda e os que assistiam ao concerto, numa festa para os familiares da empresa pública de electricidade, morreram mais 14 pessoas e 89 estavam desaparecidas.

Um turista norueguês, Oystein Lund Andersen, estava com a família em Anyer, na ilha de Java, quando esta localidade foi atingida. “Tive de correr, a onda passou a praia e aterrou a 15-20 metros dentro de terra. A onda seguinte entrou na zona do hotel onde eu estava e arrastou carros da estrada”, relatou no Facebook, segundo a Reuters. “Consegui chegar com a minha família a um ponto mais alto, através de florestas e aldeias, onde fomos ajudados por locais”.

"Não regressem"

O Presidente, Joko Widodo, expressou o seu “profundo pesar” pelas vítimas e que estavam em marcha esforços de resgatar sobreviventes e recolher corpos.

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Segundo o porta-voz da agência para a gestão de desastres da Indonésia, Sutopo Purwo Nugroho, as águas destruíram pelo menos 556 casas, nove hotéis, 60 pequenas lojas e 350 embarcações. Muitos indonésios estavam nas praias da parte ocidental de Java e da parte sul de Samatra aproveitando o fim-de-semana prolongado do Natal, diz o diário norte-americano The New York Times.  

Vídeos colocados pelas autoridades no Twitter mostravam as operações de resgate, com polícias a retirar uma criança de uma casa soterrada, ou outras equipas que já não conseguiam encontrar pessoas com vida num monte de destroços.

O arquipélago da Indonésia está numa zona de especial actividade sísmica, mas este tsunami não foi precedido por um tremor de terra – daí não ter havido alerta. Não houve os sinais clássicos: terra a tremer ou a água a afastar-se da costa.

Especulava-se que a causa teria sido a erupção do vulcão Anak Krakatoa, que há dias mostrava sinal de actividade, e por isso foi atípico. Se tivesse havido actividade sísmica, pelo menos teria havido um aviso de tsunami

A responsável da Cruz Vermelha e Crescente Vermelho Kathy Mueller disse que as equipas estavam a ajudar no esforço de retirada dos feridos e de fazer chegar água limpa aos locais afectados, prevendo ainda a possibilidade de surgirem epidemias. “A situação, e o número de mortos, vai manter-se indefinido nos próximos dias e mesmo semanas”.

Rahmat Triyono, da agência de Meteorologia e Geofísica, pediu para as pessoas não tentarem voltar às zonas que já foram evacuadas.

No final de Setembro houve um sismo combinado com tsunami devastador no país, cujo número de mortos oficial é de mais de 2000 mas teme-se, diz o diário britânico The Guardian, que o número final possa ser na ordem dos cinco mil.

Este ano foi já o pior em termos de desastres em mais de dez anos no país: sismos, cheias, incêndios e um acidente de avião deixaram mais de 4500 mortos. O ano anterior mais mortífero foi o de 2005, quando um sismo de 6,3 na escala de Richter atingiu a cidade de Yogyakarta, também na ilha de Java, deixando mais de cinco mil mortos.