Mais de 3000 pessoas morreram este ano na Indonésia vítimas de desastres naturais

Tsunami desta noite fez pelo menos 222 mortes. Autoridades admitem que uma erupção vulcânica pode estar na origem deste tsunami.

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Número de vítimas sobe para 222. Há 843 feridos Reuters/STAFF
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Autoridades admitem que uma erupção vulcânica pode estar na origem deste tsunami. Reuters/ANTARA FOTO
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Habitantes da região afectada abrigam-se numa mesquita Reuters/ANTARA FOTO
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Morreram, pelo menos, 222 pessoas neste sábado na costa do Estreito de Sunda, na Indonésia, na sequência de um tsunami, segundo informou o Governo de Jacarta. Há registo ainda de, pelo menos, 843 feridos, 28 desaparecidos e de centenas de edifícios destruídos, entre os quais nove hotéis. O último balanço feito pela Agência Nacional de Gestão de Desastres avança que não há vítimas estrangeiras entre os mortos. O Governo português não tem conhecimento da existência de vítimas de nacionalidade portuguesa.

Só durante o último ano, morreram 3050 pessoas devido a fenómenos naturais, na Indonésia. As ilhas de Java e Lombok foram as mais afectadas, registando, respectivamente, três e cinco ocorrências.

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O último balanço, avançado pela Associated Press, citando a Agencia Nacional de Desastres indonésia, sobe o número de mortos para 222 e para 843 os feridos provocados pelo desastre. É provável que o número de vítimas venha a aumentar.

Deverá ter sido desencadeado por uma maré anormal associada a um deslizamento submarino causado pela erupção do vulcão Anak Krakatoa.

O tsunami atingiu Lampung, Samatra, e as regiões de Serang e Pandeglang, em Java. A área mais afectada foi a região de Pandeglang, na província de Banten, em Java, que abrange o Parque Nacional de Ujung Kulon e praias populares, de acordo com as autoridades.

Ao que tudo indica o tsunami teve ondas de dois a três metros de altura, e que entraram até 15 a 20 metros para o interior segundo a descrição de testemunhas ouvidas pela Reuters. "Tive de correr. A segunda onda entrou na zona do hotel onde eu estava e virou automóveis na estrada atrás do hotel", disse Astein Lund Andersen, um turista norueguês, através do Facebook, citado pela Reuters. Estava em Anyer e conseguiu fugir com a família para terreno mais alto "através de caminhos na floresta e aldeias, onde os habitantes locais tomaram conta de nós", conta.

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Vista aérea do vulcão Anak Krakatau, no Estreito de Sunda, que poderá ter dado origem ao tsunami ALEX GERST/ESA/NASA

As autoridades indonésias confundiram inicialmente o tsunami com uma maré crescente e chegaram a apelar à população para não entrar em pânico, mais tarde, e numa nota partilhada através das redes sociais, a protecção civil tardou em confirmar que se tratava de facto de um tsunami: "Anuncia-se oficialmente que um tsunami ocorreu e atingiu várias áreas costeiras no Estreito de Sunda, incluindo em Pandeglang, Serang e Lampung Sul. O tsunami ocorreu no dia 22 de Dezembro cerca das 21h27 [locais] ".

"Foi um erro, sentimos muito", escreveu na rede social Twitter o porta-voz da Agência Nacional de Gestão de Desastres, Sutopo Purwo Nugroho.

A explicação para a ausência de um alerta reside no facto de se ter tratado de um tsunami de origem induzida (neste caso, uma erupção vulcânica) e não de origem sísmica, pelo que não activou os dispositivos que estão preparados para analisar tremores passíveis de gerar ondas gigantes.

O vulcão Anak Krakatau, no Estreito de Sunda, que liga o Oceano Índico ao Mar de Java, tem 305 metros de altura está localizado a cerca de 200 quilómetros a sudoeste da capital Jacarta, onde tem sido registada actividade desde Junho. De resto, em Julho, as autoridades ampliaram a proibição de acesso para uma área de dois quilómetros à volta da cratera.

O vulcão foi formado após a erupção do Krakatoa em 1883, que não só destruiu a ilha onde se erguia e matou 36 mil pessoas, num série de tsunamis, como também criou a actual ilha onde existe o vulcão Anak Krakatoa, que surgiu em 1927 e tem estado sempre a crescer desde então, explicou à Reuters Ben van der Pluijm, um geólogo especialista em sismos e professor na Universidade do Michigan (EUA).

Este tsunami agora terá sido causado pelo "colapso parcial" do Anak Krakatoa, disse Ben van der Pluijm. "A instabilidade da encosta de um vulcão activo pode criar um deslizamento de rochas que movimenta um grande volume de água, gerando ondas de tsunami num fenómeno local que pode ser muito poderoso. É como deitar de repente um saco de areia numa banheira cheia de água."

O pior tsunami na Indonésia aconteceu a 26 de Dezembro de 2004, no norte de Sumatra, e causou cerca de 230 mil mortes numa dezena de países banhados pelo Oceano Índico, dos quais 168 mil em território indonésio.

Uma conhecida banda de rock indonésia actuava numa tenda junto à praia de Tanjung Lesung, em Java, quando foi surpreendida pela torrente de água que invadiu o espaço, destruindo o palco. De acordo com o Guardian, membros da banda e do público foram arrastados pela água. O grupo publicou um comunicado em que confirma que o baixista e um membro da equipa morreram. Quatro elementos da banda continuam desaparecidos.

Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, enviou uma nota de condolência ao seu homólogo indonésio, transmitindo "uma palavra de solidariedade" às vítimas. O Presidente fez questão de manifestar a disponibilidade de Portugal para ajudar nas operações de resgate. Não há vítimas portuguesas entre os mortos, mas o Governo continuará "a acompanhar a situação", disse o secretário de Estado das Comunidades à agência Lusa. 

Balanço da destruição

Até ao momento, contam-se 558 casas destruídas e nove hotéis bastante danificados. Entre os estragos registam-se 350 embarcações e 60 restaurantes. 

A Indonésia é o quarto país em número de habitantes e também um dos mais castigados por desastres naturais. A localização geográfica da Indonésia, no Anel de Fogo do Pacífico, e o número de vulcões activos no país, mais de cem, tornam o país propenso a grande actividade sísmica. 

Só este ano, a Indonésia registou 11 terramotos com vítimas mortais:

- 23 de Janeiro: Magnitude 6 causa duas mortes e 41 feridos na ilha de Java.

- 18 de Março: Magnitude 4,5 causa três mortes e 21 feridos também em Java.

- 21 de Julho: Magnitude 5,2 causa um morto e dois feridos na ilha de Samatra.

- 29 de Julho: Magnitude 6,4 causa 20 mortes e 401 feridos na ilha de Lombok.

- 5 de Agosto: Magnitude 6,9 causa 513 mortos e 1.353 feridos em Lombok.

- 9 de Agosto: Magnitude 5,9 causa seis mortos e 24 feridos em Lombok.

- 19 de Agosto: Magnitude 6,3 deixa dois mortos e três feridos em Lombok.

- 19 de Agosto: Magnitude 6,9 causa 14 mortes e 24 feridos em Lombok.

- 28 de Setembro: Magnitude 7,5 causa 2.256 mortos e 10.679 feridos na ilha de Celebes.

- 10 de Outubro: Magnitude 6 causa quatro mortos e 36 feridos em Java.

- 14 de Novembro: Magnitude 5,6 causa sete mortos e seis feridos nas Celebes.