Crónica

Palavras, expressões e algumas irritações: Rota da Seda

“Antiga rota que ligava o Norte da China, através da Ásia Central, com Bukhara e Samarcanda, e atingia a Europa.” Portugal quer recuperar esta rota, mas não com seda.

Regista a Enciclopédia Geográfica para a tão invocada por estes dias “Rota da Seda”: “Antiga rota que ligava o Norte da China, através da Ásia Central, com Bukhara e Samarcanda, e atingia a Europa. A estrada, por onde a seda chinesa era transportada já no tempo dos romanos, deixa a cidade de Yumen (Porta de Jade), na província de Gansu, e circunda os desertos de Gobi e Taklimakan. Marco Polo, o explorador veneziano do século XIII, viajou até à China seguindo esta rota. Modernas estradas, em parte de macadame, seguem o traçado da Rota da Seda.” Portugal quer recuperar esta rota, mas não com seda.

A visita de Xi Jinping a Portugal começou com um encontro com Marcelo Rebelo de Sousa. “As relações entre os dois países ‘estão no melhor período da História’, afirmou o líder chinês. Marcelo admitiu diferenças entre os dois países, mas encontrou áreas de convergência.”, escreveu-se.

A passagem por Lisboa também ficou marcada por outra expressão/sigla: DDT, “dono disto tudo”, atribuída ao Presidente chinês pelo chefe de divisão no Ministério dos Negócios Estrangeiros, Paulo Chaves.

Ao que parece, a China “descobriu” Portugal e o país pode também beneficiar disso, como anseia José Ribeiro e Castro, que sugere que criem dois pólos de desenvolvimento, em Portalegre e Braga: “Seria um grande pilar onde ancorar as novas relações luso-chinesas e estruturar em Portugal o abraço da Eurásia.”

A vinda da comitiva chinesa obrigou muitos cidadãos da zona de Lisboa a mudarem as suas “rotas”, com estradas temporariamente reservadas ao cortejo presidencial. Também a greve da CP de sexta-feira obrigou mais uma vez os portugueses a mudarem de “rumo”. Como os chineses são bons com os comboios, talvez consigam pôr os nossos na linha (e nas linhas).

A rubrica Palavras, expressões e algumas irritações encontra-se publicada no P2, caderno de domingo do PÚBLICO