Carisma de Yannick Noah para conquistar a Taça Davis

França recebe a Croácia na última final disputada em casa, antes da mudança de formato da prova.

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Reuters/PASCAL ROSSIGNOL

Último campeão de singulares masculinos em Roland Garros, cantor com 11 álbuns editados e milhões de cópias vendidas, personalidade preferida dos franceses entre 2007 e 2016, activista humanitário… Yannick Noah foi chamado em 2016 para capitanear novamente a selecção francesa na Taça Davis, cujo último triunfo datava de 2001. Tal como nas duas campanhas anteriores, em 1991 e 1996, Noah liderou a equipa à conquista da centenária prova. Um ano depois, Noah regressa a Lille para defender esse título, diante da Croácia, procurar pela quarta vez erguer a “saladeira” de prata e despedir-se da competição, que tanto reforçou o seu estatuto de líder carismático.

“Tomei a minha decisão de deixar o cargo de capitão no início da época. Tenho de ir para outra vida com menos stress, mas não esperava divertir-me e entusiasmar-me tanto ao regressar após uma paragem de 20 anos”, justificou o seleccionador, campeão em 1991 (Lyon), 1996 (Malmo) e 2017 (Lille).

Na primeira conquista, Noah contava com quatro top 20: Jo-Wilfried Tsonga, Richard Gasquet, Gael Monfils e Gilles Simon. Actualmente, o número um francês é Gasquet, ausente devido a uma pubalgia.

Além daqueles, nas últimas três épocas, Noah recorreu a mais sete jogadores, sendo Lucas Pouille (32.º mundial) o mais utilizado. Por isso, foi ainda mais surpreendente a decisão do capitão francês de escolher Tsonga (259.º), regressado à competição em Setembro, e Jérémy Chardy (40.º) para os singulares desta sexta-feira.

Mas as decisões de Noah têm-se revelado certas: desde 2016, só perdeu uma das 10 eliminatórias disputadas – a meia-final de 2016, precisamente frente à Croácia. “O meu segredo? É simples. Apenas adoro ténis, adoro os jogadores, adoro os fãs e todos nós adoramos esta competição”, afirmou Noah, que preparou um estágio 10 dias antes, “para passar o máximo de tempo a pensar na final” e também para os jogadores se readaptarem à terra batida, nesta derradeira possibilidade de a França ganhar um título em casa – a partir de 2019, a prova terá um novo formato, com uma fase final num só local.

Da parte da Croácia, avançam os dois melhores do ranking: Marin Cilic (7.º) e Borna Coric (12.º). O número um croata teve menos tempo de adaptação, após a sua presença nas ATP Finals de Londres, mas conta com o facto de a final se disputar no Estádio Pierre-Mauroy, coberto, logo mais rápido que um court de terra batida ao ar livre, embora perante a presença de 26 mil adeptos “adversários”.