Torne-se perito

Porque é que há sociais-democratas a suspirar por Passos?

Ex-primeiro-ministro é visto como "um líder carismático" que faz falta para "reunir o centro-direita".

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daniel rocha

Um atrás do outro, antigos dirigentes ou colaboradores próximos de Passos Coelho têm vindo a recordar o antigo líder do PSD e a desejar o seu regresso à cúpula do partido. O próprio Passos Coelho já descartou a possibilidade de voltar à política activa agora ou no pós-legislativas de 2019, mas muitos sociais-democratas suspiram (ainda) pelo ex-primeiro-ministro. 

O mais recente apelo veio do seu antigo braço-direito, Miguel Relvas, que aponta Luís Montenegro como o sucessor de Rio, mas que coloca Passos Coelho (e Paulo Portas) como o último recurso para unir o centro-direita.

A existência de uma crise na direita política é identificada por alguns dos seus protagonistas que consideram que o problema se agravou com a saída de Passos Coelho da liderança do PSD. “Há uma crise na direita política e essa crise manifestou-se com mais profundidade com a saída dele. Esse espaço não socialista ficou sem uma liderança óbvia”, afirma Miguel Morgado, ex-assessor político de Passos Coelho. Referindo que, “quanto mais tempo passa, mais o ex-primeiro-ministro é valorizado”, Miguel Morgado considera que foi “um líder muito marcante” e que “não fracassou por corrupção ou incompetência”.

A intervenção e a conduta de Passos Coelho como primeiro-ministro é também a justificação dada por João Montenegro, ex-assessor do chefe de Governo, para explicar o desejo de regresso. ”Hoje já o olham como sendo uma espécie de consciência moral do país. Pelo seu percurso de vida, pela sua seriedade, pelo seu carisma, pela audácia e coragem em teimar tirar Portugal da bancarrota”, defende João Montenegro, que também foi secretário-geral adjunto do PSD na anterior direcção.

Desde que abandonou a liderança do PSD, na sequência dos maus resultados autárquicos de Outubro de 2017, Passos Coelho não tem feito intervenções públicas e só abriu duas excepções para quebrar o silêncio: uma para se assumir contra a despenalização da eutanásia - deixando uma crítica à posição de Rui Rio -, e outra para defender a recondução da procuradora-geral da República Joana Marques Vidal.

Ainda antes de Miguel Relvas também Marco António Costa deixou expresso o seu desejo de regresso do ex-líder do PSD de quem foi porta-voz e vice-presidente. O antigo líder da bancada parlamentar Luis Montenegro assumiu também que o regresso de Passos Coelho é uma possibilidade “para líder e candidato a primeiro-ministro”, porventura não no momento do pós-legislativas de 2019 mas depois disso. "Tem idade e tem crédito", defendeu.

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