Associação de defesa do património defende núcleo museológico ferroviário no Barreiro

O movimento alerta para a necessidade de construção de um núcleo museológico onde se possa preservar todo o material circulante abatido ao serviço, e para a revisão do PDM, que prevê a construção de habitação em terrenos que são património cultural do Barreiro.

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A antiga estação faz parte dos imóveis em vias de classificação Enric Vives-Rubio

 A Associação Barreiro Património Memória e Futuro considera "da maior importância" a preservação de, pelo menos, parte do material circulante e de outros equipamentos técnicos, que estão ao abandono nas oficinas do Complexo Ferroviário do Barreiro, e cujo destino é incerto. O movimento associativo reitera, em comunicado, a necessidade de todos esses bens culturais serem "mantidos e preservados no Barreiro", até que seja possível concretizar a criação de um núcleo museológico ferroviário.

A ABPMF, na sequência da notícia avançada pelo PÚBLICO, em Outubro, mostra-se surpresa com a acção administrativa movida em tribunal pela CP contra a classificação de algum material circulante abatido ao serviço. Quando questionada sobre quais as motivações que espoletaram a tentativa de anulação da classificação do material, a empresa escusou-se a dar explicações.

Tal como noticiou o PÚBLICO, a transportadora teve várias reuniões com a câmara do Barreiro e DGPC, não se tendo manifestado, então, abertamente contra o processo. Porém, finda a data para a contestação da decisão, a CP decidiu opor-se e intentar uma acção contra a classificação de locomotivas e carruagens.

Na mesma nota, a associação alerta para que o anterior executivo do Barreiro estaria já em negociações com a CP, Infra-estruturas de Portugal (IP) e Museu Nacional Ferroviário, com o intuito de fazer avançar uma proposta de construção de um museu. "Foi também apresentado à CMB, por três associações, APAC, APAI e ABPMF, um projecto e constituído um grupo de trabalho para estudar a criação de um núcleo museológico ferroviário com apoio do Museu Nacional Ferroviário".

A associação, no desenrolar de todo este processo, continua a aguardar “a tão necessária revisão do Plano Director Municipal do Barreiro”, para que seja possível reverter a previsão de construção de habitação nos terrenos das oficinas e do antigo bairro ferroviário da CP. Nas palavras da associação, actualmente, essa possibilidade “é uma perspectiva que não faz qualquer sentido”.

Ainda sobre a tentativa de a CP reverter o processo de classificação que, de momento, se encontra a decorrer, apesar de a transportadora questionar a sua legalidade, a ABPMF considera que “não será a classificação deste património que irá pôr em causa a continuação do funcionamento das oficinas no Barreiro”. Ao contrário, afirmam, “a sua continuidade bem viva e em conjugação com um núcleo museológico é que pode aumentar as potencialidades económicas do concelho”.