Sonae MC mantém plano de investir 600 milhões no triénio

Grupo de distribuição prevê gastar até 625 milhões entre 2019 e 2021 em expansão e manutenção do parque de lojas. “Spin off” está posto de parte, mas voltar ao modelo de OPV para dispersar em bolsa nem por isso – não tem é “deadline”.

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Cláudia Azevedo sucederá a Paulo Azevedo na liderança executiva da Sonae SGPS a partir de 2019 NELSON GARRIDO

“O plano de negócios” da Sonae MC para o próximo triénio – “holding” que o grupo Sonae tencionava dispersar (entre 21,7% e até 33,7%) este ano em bolsa numa operação que acabou por suspender em Outubro – “não se altera por não haver IPO [sigla inglesa para oferta publica inicial]”, garantiu ontem fonte oficial da SGPS.

A estratégia da companhia de distribuição alimentar e para-farmácias do grupo Sonae (dono do PÚBLICO), anunciada a 19 de Setembro a um mercado que esperava ter daí a um mês uma nova cotada na praça lisboeta era clara: entre 2019 e 2021, a Sonae MC iria investir 345 milhões de euros em manutenção do seu actual parque de lojas (a uma velocidade de 115 milhões ao ano) e gastar outros 260 a 280 milhões de euros em expansão. Um total, portanto, situado entre 605 e 625 milhões de euros, adicionando mais 50 a 60 lojas Continente Bom Dia, mais 4 a 8 lojas Continente Modelo e “cerca de 150 lojas de formatos adjacentes” ao seu parque actual de retalho.

A administração da SGPS  - co-liderada por Paulo Azevedo e Ângelo Paupério e que em 2019 passará a ter Cláudia Azevedo como presidente-executiva – continua “a achar que fazia todo o sentido” a realização da oferta pública de venda (OPV) da área de distribuição alimentar. Esta divisão é hoje composta por 567 lojas de retalho alimentar e 487 lojas de formatos complementares (onde se inclui ainda as lojas biológicas Go Natural, as para-farmácia Well’s, as papelarias Note, áreas de cafeteria Bagga, as lojas de animais Zu, e a cadeia de bricolage MaxMat).  

A gestão “continua a achar que fazia todo o sentido” a dona dos hipermercados Continente voltar a ser cotada em bolsa (de onde saiu em 2006), embora tal não vá acontecer “no curtíssimo prazo”, devido às actuais condições adversas do mercado de capitais. “O que não quer dizer que não o possamos fazer no futuro”, mas ainda sem “deadline” previsto. O que está por agora certo é a recusa de um modelo de negócio que inclua a cisão deste activo da casa-mãe, como aconteceu no passado com a Sonae Indústria. “Não queremos fazer qualquer spin-off” da Sonae MC, garantiu fonte oficial da Sonae SGPS ao PÚBLICO.   

O que foi já adicionado ao plano de expansão da Sonae MC este ano é aquela que será a primeira incursão da companhia de distribuição alimentar e bem-estar da Sonae SGPS em Espanha. O grupo, está já presente há vários anos com o retalho não alimentar no mercado vizinho, comprometeu-se a comprar, no final de Setembro, por 45 milhões de euros, a maioria de 60% do capital de uma empresa familiar que detém a rede de 41 para-farmácias Arenal Perfumarias SLU, no Norte de Espanha, via Modelo Continente Hipermercados, sucursal em Espanha. O negócio da Arenal — com vendas de 97 milhões de euros — deverá estar concluído no “primeiro trimestre de 2019”, conforme foi anunciado ao mercado a 28 de Setembro último.

Lucros da SGPS aumentam 50,1%

A SGPS, que ontem apresentou resultados relativos ao período entre Janeiro e Setembro, terminou o terceiro trimestre com 200 milhões de euros de resultados líquidos após interesses minoritários, face a 133 milhões um ano antes, um crescimento de 50,1%. O lucro, explicou a gestão em comunicado à CMVM, foi “fortemente impactado pelo resultado indirecto de 114 milhões de euros”, relacionado com o ganho de 46 milhões “resultante da aquisição de 20% [para 60%] da Sonae Sierra no terceiro trimestre”.

Entre Janeiro e Setembro, o grupo registou um volume de negócios de 4,23 mil milhões de euros, mais 7% do que um ano antes. Com igual crescimento, a Sonae MC foi responsável por 3,01 mil milhões de euros do total (ou 71%). O grupo, que agrega ainda as telecomunicações, tecnologias e retalho especializado não alimentar na SGPS, registou um EBITDA de 270 milhões de euros, mais 1,7% face a Setembro de 2017.