Detidas 30 pessoas de rede de jogo ilegal que operava em sete países

Rede internacional de jogo ilegal online operava em Portugal e seis outros países. Terá lucrado cerca de 80 milhões de euros. Entre os 93 arguidos estão cidadãos portugueses, brasileiros, luxemburgueses e suíços.

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NEG NELSON GARRIDO

Há 31 detidos. 93 pessoas e 14 sociedades comerciais arguidas. Mais de 260 buscas em casas, estabelecimentos e empresa. É este o saldo de três dias de uma megaoperação de combate ao jogo ilícito da GNR, apelidada Shadow Game (inglês para “Jogo de Sombras”), na qual esteve também envolvida a Polícia Judiciária Luxemburguesa.

A operação policial, que decorreu entre esta terça e quinta-feira, tinha em vista o desmantelamento de uma rede de jogo ilegal online que operava em Portugal, Bélgica, Brasil, França, Luxemburgo, Moçambique e Suíça, informou esta sexta-feira a GNR em comunicado. Os suspeitos terão explorado de forma ilícita plataformas online de jogos de fortuna e azar, lotarias e apostas desportivas. Com a instalação de máquinas numa “extensa teia de operadores locais e exploradores de estabelecimentos de restauração e bebidas”, sem controlo legal, terão gerado uma receita na ordem dos 80 milhões de euros. Fugindo, claro, os impostos dos países onde operavam.

No culminar de cerca de um ano e meio de investigação, foram detidas 30 pessoas em vários pontos do país, sete das quais em flagrante delito. Houve ainda a detenção de um português no Luxemburgo, em cumprimento de um mandado de detenção europeu. Às 10h30, a GNR realiza uma conferência de imprensa sobre o assunto.

Os detidos começaram já esta quarta-feira a ser presentes no Tribunal Judicial da Comarca de Setúbal, para primeiro interrogatório judicial. Além da prática de crimes relacionados com a exploração ilícita de jogo, estão indiciados por associação criminosa, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais.

Entre os 93 arguidos estão cidadãos portugueses, brasileiros, luxemburgueses e suíços. Há também 14 sociedades comerciais constituídas arguidas. Os activos dos suspeitos em Portugal e no Luxemburgo, entretanto congelados, foram avaliados em cerca de 6 milhões de euros, de acordo com a GNR.

Resultado de 267 buscas em casas, estabelecimentos e empresas e a 156 veículos em Portugal, assim como cinco buscas não domiciliárias e três domiciliárias no Luxemburgo, foram apreendidos 600 mil euros, 86 veículos de média e alta gamas, 22 armas de fogo e cerca de 200 munições detidas ilegalmente. Estão igualmente na posse das autoridades cerca de três mil equipamentos informáticos utilizados para a exploração do jogo, apostas e lotarias ilícitas, como computadores pessoais, tablets, telemóveis, servidores, impressoras, entre outros.

As buscas feitas no Luxemburgo, desencadeadas pela Polícia Judiciária local, visavam suspeitos portugueses que vivem neste país e resultaram de um pedido de cooperação judiciária internacional emitido pelas autoridades portuguesas. 

Estiveram envolvidos nesta operação cerca de mil militares da Unidade de Intervenção da GNR e dos comandos territoriais de Aveiro, Açores, Braga, Coimbra, Évora, Faro, Guarda, Leiria, Lisboa, Porto, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu. Além da colaboração policial da Europol, participaram peritos forenses da Europol (que apoiou também com analistas de informação), da Autoridade Tributária e Aduaneira, da estrutura de Investigação Criminal da GNR e técnicos do Serviço de Regulação e Inspecção de Jogos.