Cinco momentos da Web Summit que pode ver sem sair de casa

Da inteligência artificial aos problemas da imprensa, uma selecção de palestras e debates para ver durante a semana da Web Summit, ao vivo ou gratuitamente na internet.

As intervenções no palco podem também ser seguidas online
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As intervenções no palco podem também ser seguidas online Nuno Ferreira Santos

Há muito que a Web Summit deixou de ser só uma conferência sobre startups e se transformou num fórum  de ideias. As palestras e debates são curtos (raros são os que duram mais de 20 minutos), mas muitos oradores são figuras bem conhecidas. O PÚBLICO faz uma selecção de algumas das intervenções que o palco principal vai acolher ao longo da semana – e que também poderão ser seguidas em directo na Internet

Tim Berners-Lee

O engenheiro britânico que mudou o mundo ao inventar a World Wide Web não tem por hábito dar entrevistas. Mas estará na sessão de abertura da conferência, nesta segunda-feira ao final da tarde, a falar com uma jornalista da CNN.

Sir Tim Berners-Lee trabalhava no CERN, o famoso centro de física de partículas na Suíça, quando decidiu construir na Internet – que era na altura uma rede de computadores muita mais pequena – um sistema que permitia a qualquer pessoa disponibilizar documentos e imagens, ligá-los entre si e navegar por esta informação. Tanto Berners-Lee como o CERN optaram por deixar que qualquer pessoa usasse este sistema como quisesse, pondo assim ao dispor do mundo uma das invenções mais marcantes das últimas décadas.

Berners-Lee deverá abordar os problemas que entretanto a Web encontrou e os obstáculos que enfrenta para se manter fiel à ideia de uma plataforma ao serviço  da humanidade.  

Na abertura da Web Summit estarão ainda o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e o primeiro-ministro, António Costa. 

Como parar a desinformação?

As chamadas notícias falsas – uma mistura de desinformação, propaganda enganadora e mentiras, com fins políticos ou, simplesmente, para fazer dinheiro com publicidade – tem sido tema de discussão desde que a eleição de Donald Trump e o referendo ao Brexit mostraram o poder das redes sociais para condicionar opiniões, adulterar factos e influenciar votações. 

Na terça-feira, às 11h35, um painel de quatro pessoas – uma governante, um jornalista e dois executivos – vai debater formas de abrandar a disseminação de desinformação e de reestabelecer a confiança na imprensa.

No palco estarão a primeira-ministra da Sérbia, Ana Brnabic; o presidente do Guardian Media Group (dono do jornal britânico com o mesmo nome), David Pemsel; o editor de media do Financial Times, Matthew Garrahan; e ainda Mitchell Baker, presidente exercutiva da Mozilla, uma organização sem fins lucrativos que, entre outros produtos, é responsável pelo navegador Firefox.

Young Sohn

O nome pode não soar familiar, mas Young Sohn está numa posição privilegiada para falar sobre como a inteligência artificial se está imiscuir no quotidiano.

Sohn é presidente e responsável pela estratégia da Samsung, a gigantesca fabricante sul-coreana de electrónica (e não só), cuja notoriedade cresceu com os smartphones, um mercado onde é líder global. Mas que produz também todo o tipo de equipamentos e electrodomésticos, incluindo máquinas de lavar roupa e frigoríficos inteligentes.

Na terça-feira, às 16h30, o executivo terá uma das poucas intervenções com direito a 30 minutos no palco principal.

Margrethe Vestager

A comissária europeia com a pasta da Concorrência é já uma repetente na Web Summit. Sobe ao palco na quarta-feira, às 11h55, para falar sobre o impacto da tecnologia e o desafio de construir “uma economia digital mais justa”. 

Margrethe Vestager tornou-se conhecida por ter mão pesada com os gigantes tecnológicos americanos (que têm encontrado na Comissão Europeia, e não apenas na pasta da Concorrência, um regulador mais interventivo do que o congénere dos EUA). Só ao Google, a Comissão já aplicou duas multas multimilionárias: uma, de 2420 milhões, devido ao comparador de preços do motor de busca, num processo que se arrastava há anos; outra, de 4340 milhões, devido a práticas relacionadas com o sistema operativo Android (a empresa recorreu).

O nome de Vestager – que tem 50 anos e é uma experiente política dinamarquesa – tem surgido como uma possibilidade para a presidência da Comissão Europeia a partir de 2019, uma hipótese que ela própria, quando questionada por jornalistas, não descartou.

Evan Williams

Evan Williams é um dos oradores-estrela desta edição da Web Summit. O empresário americano co-fundou o Blogger, o famoso serviço de blogues que ajudou a popularizar este formato, deu a milhões de pessoas uma forma simples de se exprimirem na Web e acabou comprado pelo Google. Williams fez depois parte da equipa de fundadores do Twitter. Mais recentemente, lançou o Medium, uma plataforma de escrita com a qual se propôs – sem sucesso – a resolver alguns dos problemas que afectam a imprensa, incluindo as dificuldades de muitos em encontrar um modelo de negócio viável.

Williams vai ser entrevistado em palco, na quinta-feira, às 16h35. O mote para a conversa é uma pergunta de resposta difícil: “Apesar do falhanço da experiência de ter apenas publicidade, os media insistem. As paywalls têm sido lentas a vir em socorro. Por isso, como podemos salvar o sector dos media de si próprio?”