Rio afasta envolvimento de Marcelo em caso de encobrimento de Tancos

Líder do PSD sai em defesa do Presidente da República e defende que António Costa deveria responder sobre o caso de Tancos na Assembleia da República perante os deputados.

Rui Rio  mantém confiança no secretário-geral do PSD
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Rui Rio mantém confiança no secretário-geral do PSD LUSA/FERNANDO VELUDO

Rui Rio tirou o Presidente da República,Marco Rebelo de Sousa, do centro do furacão de Tancos, afastando-o, “até ver”, de qualquer envolvimento de no caso do processo de recuperação de armamento furtado naquela base militar há um ano.

"Até ver, eu não coloco isso no patamar do Presidente da República", declarou o líder do PSD, esta segunda-feira, em declarações, aos jornalistas, no final de uma reunião com uma delegação da Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas de Portugal (Confagri), no Porto.

Uma reportagem do programa Sexta às Nove, da RTP1, revela que os avanços na investigação de Tancos terão sido reportados a Belém, via ex-chefe da Casa Militar da Presidência da República, João Cordeiro, mas Marcelo insiste que a Presidência não foi informada do alegado encobrimento no caso de Tancos. “É do outro mundo”, disse, sábado, o Presidente da República sobre a hipótese de saber o que se passou em Tancos.

Quanto à disponibilidade manifestada, no fim-de-semana, pelo primeiro-ministro, para responder na Comissão Parlamentar de Inquérito sobre Tancos, Rio discorda e diz que o palco certo para António Costa se explicar ao país é o plenário da Assembleia da República, perante os deputados, embora tenha admitido que, "numa situação excepcional", o possa fazer.

Sublinhando que o interesse nacional se deve sobrepor a eventuais “jogos de poder”, o líder do PSD advertiu que o que está a acontecer desprestigia as Forças Armadas. “Entendo que o que tem vindo a acontecer é demasiado mau para as Forças Armadas, é demasiado mau para o país, acentuando o desprestígio das Forças Armadas", disse, acrescentando que esta situação leva a "reboque também o Governo".  E deixou a ideia de que em política não vale tudo. "Mesmo na oposição, devemos colocar em primeiro lugar o interesse do país e o interesse das Forças Armadas e, portanto, por mais que partido da oposição goste de ver um Governo a ser desgastado, acho que as Forças Armadas têm que estar acima disso", sustentou Rio.

Quanto à utilização das Forças Armadas “por “interesses pessoais” e “jogos de poder” que o Presidente da República já veio dizer que não seriam tolerados, o presidente social-democrata disse desconhecer se as “Forças Armadas estão ao serviço de jogos de poder", observando que "para isso é que há uma investigação judicial e para isso é que vai haver a comissão parlamentar de inquérito" para se se tirem as conclusões.

Rui mantém confirmça em Silvano

Questionado sobre o secretário-geral do partido que validou a sua presença no Parlamento, em plenário, sem lá ter estado, o líder do PSD declarou que mantém a confiança política em José Silvano. "Claro que mantenho a confiança política. O caso não é agradável, como é evidente, não é um caso positivo, mas acha que ter uma proposta para o país, discutir o país, debater o país pode ser anulado pelas pequenas questiúnculas que estão constantemente a surgir neste partido e nos outros partidos?. Não pode ser, temos de estar um bocadinho acima disso", frisou, numa alusão à noticia deste sábado do Expresso.

Segundo Rio, o secretário-geral já lhe explicou o que se passou e que este deverá ainda nesta segunda-feira "repor a verdade". "O deputado José Silvano já me explicou o que se passou e vai fazer hoje ainda, penso eu, um direito de resposta ao jornal, no sentido de que seja reposta a verdade daquilo que aconteceu. A ele lhe compete fazer isso como deputado, eu nem sequer deputado sou e, portanto, verão a explicação que ele vai dar", afirmou.

O deputado José Silvano assumiu o cargo de secretário-geral do PSD em Março deste ano após a demissão de Feliciano Barreiras Duarte na sequência de notícias sobre irregularidades no percurso académico e sobre a morada referida para efeitos de cálculo de abonos das deslocações como deputado.