Gémeos Winklevoss vs. o criminoso das bitcoins

Os dois empresários que processaram Mark Zuckerberg puseram em tribunal um antigo parceiro de negócios a quem acusam de lhes ter roubado o que agora são milhões.

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Os dois empresários, que têm hoje 37 anos, processaram em tempos Mark Zuckerberg, acusando-o de lhes ter roubado a ideia de uma rede social Brian Snyder/REuters

Os gémeos Cameron e Tyler Winklevoss parecem ter uma tendência para intrincadas queixas em tribunal, que misturam tecnologia e histórias mal contadas.

Os dois empresários, que têm hoje 37 anos, processaram em tempos Mark Zuckerberg, acusando-o de lhes ter roubado a ideia de uma rede social online e de os ter enganado, fingindo que trabalhava no serviço concebido pelos Winklevoss, enquanto planeava o lançamento do Facebook. 

Os gémeos acabaram por não levar o processo até ao fim, mas conseguiram, em 2008, uma indemnização multimilionária. Decidiram investir em bitcoins, numa altura em que a moeda digital estava muito longe de ter a notoriedade – ou o preço – que tem hoje. Lançaram um serviço para seguir as flutuações de preço da bitcoin e tentaram (sem sucesso) levar as bitcoins e demais criptomoedas para os mercados financeiros tradicionais. Também financiaram a BitInstant, uma startup nova-iorquina que prometia acelerar a compra e venda de criptomoedas.

A BitInstant morreu em 2014 – mas este é um assunto que não está enterrado. E é aqui que entra Charlie Shrem, 28 anos, um ex-presidiário e aparente milionário, que foi co-fundador e presidente da BitInstant e que é agora alvo de uma acção judicial por parte dos Winklevoss.

Os últimos anos da vida de Shrem foram de altos e baixos. No final de 2014, foi condenado a dois anos de prisão por ter ajudado pessoas a obter bitcoins, que depois eram usadas para comprar drogas no Silk Road, um gigantesco mercado negro online, entretanto desactivado pelas autoridades. Acabou por sair da prisão em meados de 2016 e, desde então, comprou múltiplas propriedades, carros e barcos de luxo.

Segundo conta o New York Times, que narra a história do novo processo legal movido pelos Winklevoss, Shrem (que entretanto criou uma empresa de consultoria na área das criptomoedas) afirma que praticamente não tinha dinheiro quando foi preso. Pelo contrário, os Winklevoss dizem que ele lhes roubou cinco mil bitcoins há alguns anos. Na altura, o desvio de fundos representava cerca de 55 mil euros. Hoje, aquelas bitcoins valem 28 milhões.