PSD não desiste de ouvir Costa sobre Tancos

Deputado Bruno Vitorino mantém vontade em questionar o primeiro-ministro mesmo depois do recuo de Rio. "Não devemos excluir essa possibilidade na novela mexicana em que se tornou Tancos"

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Costa, como primeiro-ministro, tem a prerrogativa de responder por escrito à comissão Nelson Garrido

O PSD não desiste de ouvir o primeiro-ministro, António Costa, sobre o furto de munições militares em Tancos, em sede de comissão parlamentar. Nem mesmo depois de o líder do partido, Rui Rio, ter dito que o único local apropriado para questionar o primeiro-ministro são os debates quinzenais no plenário da Assembleia da República.

"Não sei se é na comissão parlamentar de inquérito, na comissão de Defesa, ou se é por escrito, mas que tem que dar esclarecimentos ao país, ai isso, sim", afirmou ao PÚBLICO o deputado do PSD Bruno Vitorino, que é vice-coordenador para a área da Defesa na bancada do PSD, recordando que Costa chegou a dizer "aos parceiros europeus e aos parceiros da NATO que as armas tinham sido todas recuperadas". E, questiona: afinal justificou-se a manutenção do "mesmo nível de alerta" quando há munições desaparecidas? Estas são algumas dúvidas que Bruno Vitorino tem e já tinha quando, em Setembro, durante uma audição ao ministro da Defesa, admitiu pela primeira vez a necessidade de se questionar directamente Costa: “[O PSD] reserva-se o direito de requerer a audição do primeiro-ministro para esclarecer por que não disse a verdade aos portugueses”.

"Como é que podemos dizer hoje que abdicamos de o ouvir se evolui tudo tão rapidamente? Não devemos excluir essa possibilidade na novela mexicana em que se tornou Tancos", insiste agora, considerando que pode ser ouvido "daqui a um mês, daqui a um ano" pela comissão parlamentar de inquérito ou pela comissão de Defesa. Sublinhando que Rio se preocupou com "as regras de cordialidade", Bruno Vitorino lembra que tanto Pedro Passos Coelho como António Costa, enquanto primeiro-ministro, já responderam várias vezes por escrito aos deputados. 

A comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao furto de armas em Tancos, aprovada na semana passada, vai ser discutida na conferência de líderes na próxima semana, podendo iniciar os seus trabalhar ainda este mês, segundo noticiou a Lusa. A lei fixa em 180 dias o prazo para a conclusão de um inquérito parlamentar, podendo, porém, ser decidido o prolongamento do mandato por mais 90 dias. Durante o período de debate do Orçamento do Estado, agora em curso, até final de Novembro, é suspenso o trabalho das comissões parlamentares, à excepção das comissões eventuais e de inquérito.

Esta comissão de inquérito, que teve o voto favorável de todos os partidos, à excepção do PCP e PEV que se abstiveram, será presidida pelo deputado socialista Filipe Neto Brandão.