Anna Burns vence Man Booker Prize com Milkman

O prestigiado galardão de literatura de 2018 foi atribuído ao terceiro romance da escritora irlandesa, que conta a história de resiliência de uma rapariga de 18 anos vítima de assédio sexual. O anúncio da distinção foi feito esta terça-feira.

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Anna Burns Reuters/POOL

A escritora irlandesa Anna Burns venceu esta terça-feira a 50.ª edição do prémio Man Booker Prize com o seu livro Milkman — trata-se do primeiro autor da Irlanda do Norte a vencer o galardão, o mais prestigiado prémio britânico de literatura. A obra de Burns, a 17.ª mulher a vencer o prémio desde a sua criação em 1969, centra-se na história de uma mulher de 18 anos que é assediada por um homem poderoso. 

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A capa do livro vencedor DR

“Nenhum de nós leu algo assim antes. A voz incrivelmente distintiva de Anna Burns desafia a forma de pensar tradicional e ganha forma numa prosa surpreendente e imersiva”, argumentou em comunicado o jurado Kwame Anthony Appiah, também ele escritor e filósofo. “É uma história de brutalidade, de intromissão sexual e de resiliência tecida com um humor mordaz”, afirmou ainda, acrescentando que Milkman explora as “formas traiçoeiras em que a opressão pode acontecer no dia-a-dia”.

Anna Burns tem 56 anos e nasceu em Belfast. Por vencer o prémio, Burns recebe 50 mil libras (cerca de 57 mil euros), que se junta ao reconhecimento internacional e a um aumento de vendas quase certo. A escritora tem dois outros romances publicados: No Bones e Little Constructions

Além de Milkman, havia outros cinco finalistas a concurso: Everything Under, de Daisy Johnson, The Overstory, de Richard  Powers, Washington Black, de Esi Edugyan, O Quarto de Marte, de Rachel Kushner, e The Long Take, de Robin Robertson.

Na edição do ano passado, o prémio máximo foi atribuído a Lincoln no Bardo, o primeiro romance do norte-americano George Saunders, centrado na morte de um dos filhos de Abraham Lincoln e editado em Portugal pela Relógio d'Água. A organização do Man Booker Prize avança que na semana seguinte ao anúncio do vencedor, as vendas de Lincoln no Bardo aumentaram 1227%.

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A autora (à direita) ao receber o prémio REUTERS