O Espaço Entre Nós: um ensaio fotográfico sobre o que divide os portugueses

Violeta Santos Moura
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Violeta Santos Moura

A violência, a desigualdade económica, a intolerância racial e religiosa dão o mote ao projecto da fotojornalista Violeta dos Santos Moura O Espaço Entre Nós: Um Relato Pessoal Sobre Um País Quase Pacífico. Em entrevista ao P3, a autora definiu a colecção de mais de 20 imagens como “um artigo de opinião sob formato de fotografia”. “É um diário visual da sociedade portuguesa actual, não exaustivo e em contínua progressão, de como nos vamos tratando uns aos outros no terceiro país mais pacífico do mundo.”

O móbil para o desenvolvimento do projecto encontra raiz no início da carreira da fotojornalista. “Conviver durante muitos anos com activistas políticos e dissidentes, em Israel e na Palestina, fez-me adoptar a mesma postura crítica em relação ao meu próprio país”, explicou, por telefone. “Apesar de Portugal ser um país bastante pacífico e de estar bem posicionado no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, há ainda muito por fazer até podermos dizer que está tudo bem.” Devemos encarar o copo como meio vazio, e não como meio cheio, na óptica da portuguesa que foi considerada, em Março de 2017, pela revista TIME, uma das “34 vozes do fotojornalismo feminino que merecem ser ouvidas”.

Entre 2012 e 2018, Violeta Santos Moura registou vários incidentes que considera representativos dos aspectos menos positivos da mentalidade e políticas que vigoram em Portugal, nomeadamente episódios de violência doméstica com registo de vítimas mortais, situações de racismo e homofobia de contornos criminais, exemplos de religiosidade inflexível que Violeta considera intrusivos da liberdade de acção dos cidadãos, situações de repressão policial e estatal “que se multiplicaram nos anos da crise”. A identidade portuguesa e o anacronismo de algumas das suas características estão também em evidência na série fotográfica da fotojornalista de Vila Real: a alusão à versão oficial da História do Império Português – que retrata positivamente a acção lusitana – e o retrato de situações de racismo institucional dirigido às comunidades imigrantes oriundas de ex-colónias nacionais estão articuladas de forma mordaz para nos lembrar que existe uma linha temporal contínua inalienável na raiz da identidade de cada grupo cultural.

O trabalho da transmontana Violeta Santos Moura está em exposição no Espaço Mira – espaço portuense que celebrou o quinto aniversário a 13 de Outubro – até 17 de Novembro.

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