Incêndios de 15 de Outubro

Um ano depois do pior dia de sempre

Foram cerca de 500 focos de incêndio em pouco mais de 24 horas, foi uma imensidão de área atingida, foram quase 40 municípios abrangidos, sobretudo no centro de Portugal. Um ano depois desse 15 de Outubro, não são só as marcas da passagem do fogo que continuam visíveis na paisagem. Há milhares de histórias de superação, de resiliência, de frustração e de oportunidade.

Foi o pior dia do ano, que aconteceu apenas dois meses depois da maior mortandade de sempre por causa de um único incêndio florestal, em Pedrógão Grande. Depois daquele 17 de Junho de 2017, ninguém queria acreditar que uma tragédia semelhante voltasse a acontecer. Mas ela repetiu-se logo na madrugada de 15 e 16 de Outubro, quando deflagraram cerca de 500 focos de incêndio e que lavraram quase sem controlo em sete concelhos da região Norte e em 32 na região centro. Talvez tivessem sido as imagens de Pedrógão, e do elevado número de vítimas calcinadas numa estrada a fugir do fogo, que evitou que o número de vítimas mortais fosse maior. Em Outubro morreram 50 pessoas e arderam vários milhares de casas. Foram afectadas 430 empresas e ficaram quase cinco mil postos de trabalho em risco.

Os incêndios de Outubro foram a razão do primeiro puxão de orelhas institucional (e em público), dado pelo Presidente da República ao Governo liderado por António Costa. Era preciso não voltar a falhar, era preciso começar rapidamente a reconstruir.

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A avalanche de donativos que a tragédia de Pedrógão Grande granjeou de imediato não se repetiu em Outubro, e foi o sector público quem assegurou a reconstrução, por via dos fundos comunitários e do Orçamento de Estado. O Estado veio a terreno depois de o sector segurador ter feito o seu trabalho, processo que foi concluído em Julho deste ano. De acordo com os dados da Associação Portuguesa de Seguros, foram recebidas 4636 participações de sinistros (só de casas foram 3396) e foram pagas indemnizações no valor de 226 milhões de euros, naquele que foi considerado o maior sinistro de sempre. 

No Orçamento de Estado para 2018, e para a reconstrução das casas estavam cabimentados 60 milhões de euros. Para o apoio à reposição da capacidade produtiva das empresas, foi disponibilizada uma linha de financiamento com 100 milhões de euros. Nesta avalanche de números e relatórios, e nesta guerra de candidaturas e projectos, sobram as histórias individuais de quem ainda enfrenta, 365 dias depois, as consequências daquele nefasto dia. Há histórias de superação e resiliência, de frustração e de oportunidade. Aqui contamos apenas cinco. Podiam ser multiplicadas por mil.

“Aqui, a gente sente-se feliz. É pena não termos ao menos um vizinho”

José Freire, 85 anos e Prazeres Freire, 80. Moradores na aldeia de Coucedeira, Vide, Seia.

Foi no dia em que fez 85 anos, a 31 de Março. Nesse dia o pesadelo terminou e José Freire voltou a ter mesa posta e casa cheia, com o filho, nora e netos a cantarem-lhe os parabéns. Eles abalam-se de São Domingos de Rana sempre que podem, e desta vez, e para além do aniversário do avô, e passar a Páscoa, queriam também assinalar o fim das obras que, durante quatro meses, recuperaram a casa de que os avós foram obrigados a sair, escoltados pela GNR, no dia 15 de Outubro. Vieram, de alguma maneira, inaugurar a única casa que foi reconstruída em Coucedeira, uma espécie de aldeia-presépio encravada no vale que desenha a orografia entre a Serra da Estrela e a serra do Açor. Na estrada que liga a freguesia de Vide, no concelho de Seia, a Piódão, no concelho de Arganil, existem vários destes aglomerados. A localidade de Coucedeira foi a mais afectada do concelho de Seia, e das 15 casas que a compõem 13 ficaram destruídas. 

José Freire e Prazeres Freire, de 80 anos, são os únicos habitantes da aldeia. Dizem que estão no único sitio onde podem ser felizes. Mas assumem que lhes faz falta alguém na vizinhança. Continuam a ter como “vizinho” mais próximo o primo de José Freire que o acolheu durante os quatro meses que duraram as obras. Nas restantes casas, que eram frequentadas sobretudo no Verão, e nas festas da freguesia (em honra de Nossa Senhora da Ajuda, cuja capela se avista da casa dos Freires), ficaram este ano vazias. E ficarão por muito tempo — são segundas habitações, os proprietários e herdeiros, sem ajudas públicas, dizem que não têm dinheiro para as recuperar.

As obras na casa de José Freire começaram em Novembro. “O seguro pagou tudo, senão a minha casa estava como o resto à volta, com tudo por fazer”, diz o octogenário, enquanto abre a porta para mostrar o forno a lenha onde a família se preparava para assar umas postas de bacalhau — no fim-de-semana prolongado pelo feriado de 5 de Outubro, a nora e o neto vieram visitar os avós, outra vez. “O seguro foi a nossa sorte”, insiste o homem que trabalhou 16 anos numa quinta e 25 na Docapesca, e que abandonou Lisboa para nunca mais querer voltar. “Tirá-lo [a José Freire] daqui é matá-lo”, concede a nora, Fátima, educadora de infância, nada e criada em Lisboa, mas que se apaixonou por Coucedeira há 32 anos, no primeiro dia que pós os pés na aldeia. 

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A companhia de seguros passou aos empreiteiros um cheque de quase 70 mil euros. É uma pequeníssima parcela dos cerca de 41,4 milhões de euros que as empresas da Associação Portuguesa de Seguros (APS) gastaram na recuperação de 3396 casas. “Ficou melhor do que o que estava, temos de admitir”, concede a mulher, Prazeres. A lareira aberta passou a recuperador de calor, que agora aquece a casa toda. A casa-de-banho está mais funcional, o soalho a imitar madeira é mais fácil de limpar, as galinhas e os coelhos ganharam uma casa nova com direito a terraço. A cozinha e a sala continuam no sítio de sempre, com as janelas a devolver uma paisagem de sonho, com socalcos verdes e um curso de água, a Ribeira Pequena, ao fundo. José Freire já pode levantar-se todos os dias, como fazia sempre, às sete da manhã, para ir à horta regar o que que for preciso. Mostra orgulhoso as cebolas deste ano e aponta para as vides que lhe deram cem litros de vinho. Brinde-se: “Aqui somos felizes”, diz Prazeres, que logo acrescenta ter pena de “não ter um vizinho por perto”. O incêndio sinalizou-os no Centro de Dia de Vide. Desde então que recebem visitas diárias para entrega de refeições. “E nós em Lisboa sempre estamos um bocadinho mais descansados”, admite a nora.

 

“Não vou começar tudo de novo. Prefiro ser agricultor em Angola”

Paulo Rogério, 46 anos. Empresário agrícola, Oliveira do Hospital.

Quando o encontramos em Dezembro do ano passado, dois meses depois do incêndio, Paulo Rogério disse que chegou a ter as malas feitas para emigrar. Viu 16 anos de trabalho ser consumidos “por um incêndio que não foi normal”, e teve vontade de deitar a toalha ao chão. Mas ofereceram-lhe ovelhas bordaleiras, convenceu-se a ficar, e a lutar pela empresa que fez crescer (e que assegura, para além do dele, mais quatro postos de trabalho), e satisfeito por ver que a teimosia que o levou a ser o primeiro produtor a fazer queijo Serra da Estrela durante todo o ano começava a ter seguidores. Um ano depois, admite, está pior do que o que estava. “Quando falamos em Dezembro eu ainda acreditava que o Governo se podia convencer que não pode tratar os portugueses de forma discriminatória, nem considerar que quem está à frente de empresas na área industrial são cidadãos de primeira e que quem está à frente de empresas da área da agricultura são cidadãos de segunda”, reclama.

Paulo Rogério já temia que tal viesse a acontecer, mas ainda não tinha os comprovativos nas mãos. “Fiz o levantamento dos prejuízos todos. Apresentei o projecto como o Governo mandou e quis. Ovelha a ovelha, vedação a vedação, armazéns e palheiros, máquinas que arderam. Só meti no projecto o que me ardeu e preciso de repor. Apresentei um projecto de 108 mil euros de investimento. Foi aprovado. Mas do Estado só vou buscar pouco mais de 40 mil euros. E o resto? Ponho do meu bolso? Como é que o ministro da Agricultura tem coragem de dizer que paga 85% dos prejuízos, como pagou na indústria? É mentira!”, reclama, revoltado.

Olhando para o futuro, diz que não percebe como vai continuar a fazer sacrifícios para conseguir produzir alguma coisa. “Já aqui enterrei 16 anos. [vários] 365 dias, sem férias, Natal, Páscoa, feriados. A vida de um agricultor não é fácil, em lado nenhum. Acho que vou aceitar uma proposta que tive e vou experimentar ser agricultor em Angola. Lá, ao menos, prometem-me condições para trabalhar”, suspira. 

O desalento de Paulo Rogério contrasta com o brilho nos olhos, que faíscam quando chega um cliente para comprar um requeijão e ouve estes queixumes. O cliente pede-lhe para não desistir. Rogério repete ao cliente que sim, que em Oliveira do Hospital já não há nada a fazer. Explica que está a vender 20% do que vendia por esta altura no ano passado, e que os custos de produção não diminuíram. “Nem depois de ter provado, com a atribuição de prémios internacionais, que um queijo feito a 15 de Agosto é tão bom quanto um feito de Inverno. O que interessa é a qualidade do pasto. O daqui foi-se. O pouco que tenho fui eu que comprei, remediei, construí. Não há ajudas para nada. Desisto”. 

Rogério tem 46 anos e “ainda muita força para trabalhar. “Não me sinto velho. Podia voltar a passar 16 anos a reconstruir tudo, outra vez. Mas acho esta política do Estado desincentivadora. Se eu tivesse só uma queijaria, poderia recuperar 85% dos prejuízos. Como também tenho actividade agrícola e pastorícia, os apoios caem para metade. Não consigo aceitar isto. Estou revoltado”, confessa.

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“A Guerra ainda não acabou”

Paulo Guerra, 50 anos e Cláudio Guerra, 45 anos. J. Guerra - Fábrica de Sirgaria e Passamanarias, Oliveira do Hospital.

Joaquim Guerra fundou a empresa de sirgaria e passamanaria com o seu nome há 60 anos. Agora tem 82, já passou a empresa aos filhos, Cláudio e Paulo, há uma dezena de anos, mas a verdade é que ainda é por lá que gosta de andar. Não se consegue afastar. Acabou, também por ser ele a ter de “salvar” a empresa do encerramento definitivo, já que foi do seu bolso que apareceu o dinheiro que foi preciso para garantir que a empresa não fechava. Com 50 postos de trabalho, a J. Guerra conseguiu segurar quase todos — “só saíram dois ou três funcionários, que já estavam aptos para a reforma”, diz Paulo Guerra. 

Paulo e o irmão, Cláudio, já apresentaram à linha criada pelo Governo para a reposição da actividade produtiva um projecto de investimento de quase 10 milhões de euros, para assegurar que a empresa poderá regressar ao terreno com quase 12 mil metros quadrados que ardeu por completo na zona industrial de Oliveira do Hospital. Entretanto, já têm mais de 1,5 milhões de euros gastos. No trabalho de remoção e limpeza dos escombros — no qual os funcionários foram chamados a colaborar passados 15 dias após os incêndios — e também na compra e adaptação de um pavilhão com três mil metros quadrados e na aquisição de máquinas para continuar a trabalhar. “É importante que o mercado saiba que a J. Guerra ainda não acabou. Ainda estamos aqui. Vamos continuar a lutar, para voltar a abrir a fábrica no sítio onde estava”, diz Paulo Guerra, que responde à pergunta sobre se conseguirão repor toda a capacidade produtiva com uma palavra só: “É impossível”. “O nosso pai andou 60 anos a comprar máquinas, tínhamos um parque de 450. Não vamos conseguir isso nem nos próximos anos”, admite, frisando que o problema não é apenas recuperar máquinas que não se fazem em mais lado nenhum. Actualmente, já compraram cerca de 90. Dizem que para trabalhar em velocidade cruzeiro precisam de 150 máquinas. “Tivemos de reajustar a produção. Já desistimos de uma linha de produtos. E também tivemos de ajustar horários, e pedir mais esse sacrifício aos trabalhadores. Temos o mesmo pessoal, e menos máquinas. Criamos dois turnos para podermos continuar a trabalhar, a responder a clientes e voltar a fazer stock”, explica.

O projecto de investimento foi apresentado há duas semanas, quase no limite do prazo das candidaturas à linha de apoio público, que foi alargado até 28 de Outubro. “Estas coisas demoram sempre o seu tempo, apresentar projectos, assegurar licenças, manter uma fábrica a trabalhar, segurar clientes, é uma grande empreitada”, justifica-se Paulo Guerra. Se o projecto for aprovado, e conseguirem o financiamento máximo, receberão 8,5 milhões de euros.

Cláudio Guerra, de novo a passear entre os escombros que o incêndio deixou na zona industrial, aponta para a escadaria da porta principal que ficou de pé, depois dos esforços de limpeza e demolição. “Achamos que valia a pena aproveitar esta portaria, para ficar como símbolo do que aqui estava e que, queremos nós, poderemos dizer que não se perdeu. O meu desejo é que o meu pai ainda possa subir aquelas escadas, e entrar na fábrica que ele aqui abriu há 28 anos. E esperemos que ela aqui fique por muitos outros 28”, terminou.

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“Se a minha mãe falecer primeiro, eu não aguento”

Albina Araújo, 58 anos. Gaído, Castelo de Paiva.

As paredes estão pintadas de fresco, e os olhares mais atentos notarão que há por ali um telhado novo — até porque, há menos de um mês, o que cobria a antiga escola primária de Gaído, em Castelo de Paiva, caiu e por pouco não apanhava quem lá mora há quase um ano. “A sorte é que o meu marido estava a tomar banho e eu andava no quintal”, conta Albina Araújo, de 58 anos. O filho também não estava em casa quando o telhado caiu sobre a sua cama. "O meu filho teria ficado estendido ali", conta, emocionada. “Depois vieram cá uns técnicos da câmara e disseram que era para pôr aqui umas telhazitas. Mas o empreiteiro disse que nem pensar, isto precisava mesmo era de um telhado novo”, conta Albina.

O telhado foi reposto, mas numa solução provisória. Como provisória é a situação de Albina, do marido António e do filho, José Vítor. Há um ano que olham para o outro lado da rua, e se confrontam com as ruínas da casa onde Albina foi criada, juntamente com sete irmãos. Mas ainda não tem nenhuma indicação sobre quando começarão as obras, nem se o projecto está aprovado sequer. “Na terça-feira vou ver com o presidente da Câmara de Castelo de Paiva. Ele mandou-me ter paciência e eu tenho tido muita, mas já passou um ano!”

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A Comissão de Coordenação da Região Norte, que está a liderar o processo de reconstrução das casas recebeu 71 candidaturas naquele município. Rejeitou nove, ainda está a apreciar três e aprovou 59. Mas até agora as obras ainda não avançaram em nenhuma habitação.

“Esta era a casa da minha mãe e a única coisa que me preocupa é voltar a trazê-la aqui. Não lhe quis dar o desgosto de dizer que ardeu tudo, nem agora quando a ouço dizer às vizinhas de Fiães (ela agora está a viver com um dos meus irmãos) que a casa de Gaído está um brinquinho”. Certo é que desde o incêndio nem um prego lá mandaram pôr, garante Albina. E tudo o que foi limpo e melhorado foi à conta das suas mãos. "Não confundo pobreza com limpeza”, avisa.

Não precisava de o dizer. Vê-se pelo terreiro limpo da escola, pelos cactos que andou a plantar em troncos ardidos que transformou em vasos. “Tenho andado a vender alguns. Ando sempre a inventar biscates, porque o dinheiro não abunda”, admite esta antiga cabeleireira, já reformada por questões de saúde — teve um derrame cerebral e uma depressão que quase a esgotou.

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À conta dos donativos, Albina tem a casa, ou melhor, a escola, completamente equipada. Só um frigorifico é que se auto-transformou em arca congeladora, e já não refrigera, só congela. Entretanto, já sabe que vai ter direito a 2500 euros para poder equipar e mobilar a casa. “Não me parece muito, mas a gente cá se arranja. O que eu quero é ver as obras a começar”, admite, inquieta. E Albina volta a falar da mãe e da preocupação que a consome que ela venha a morrer sem ver de pé a casa onde criou os oito filhos, e enfrentou a violência doméstica que lhes infligia o pai de todos eles. “Fomos muito maltratados naquela casa. E fomos muito amados pela minha mãe. Ela é uma princesa. Está sempre a pedir-me para vir a minha casa para eu lhe fazer um arroz de frango. Morro de desgosto se não conseguir fazer isso. A minha mãe já não é nova. Se ela falece antes de começarem as obras na casa, quem morre a seguir sou eu.”

“Tinha casa velha, tractor velho e carro velho. Mas tinha tudo”

Pedro Dias, 42 anos. Oliveirinha, Bobadela, Oliveira do Hospital

Estava em casa dos pais, num jantar de família, quando percebeu que 15 de Outubro não seria uma data normal. O vento arrastou as chamas que rapidamente rodearam a pequena quinta nos arredores da Bobadela, em Oliveira do Hospital, relata Pedro Dias, de 42 anos. Um ano depois, restam apenas as paredes de granito, ao lado das quais a empresa responsável pela empreitada de reconstrução já instalou grua, gerador e alguns materiais. Contudo, os trabalhos ainda não arrancaram.

“Ainda andei por aqui a deitar água enquanto houve”, descreve, percorrendo o terreno da quinta onde cresceu. Enquanto o jantar decorria, nunca imaginava que a vivenda que partilhava com mulher, filho de 13 anos e sogra, em Oliveirinha, a cinco minutos dali, mas já no concelho de Tábua, estivesse a arder.

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As ruínas da vivenda foram demolidas em Agosto. Tudo o que resta no seu lugar é uma cratera onde cresce feijão-verde. “Neste momento é apenas um terreno”, constata Pedro Dias, motorista de passageiros. Desde o incêndio que tem vivido com a família em casa da irmã, também na Bobadela. O ano que passou foi particularmente difícil. À destruição do incêndio somou-se a morte do pai, em Dezembro. “Ele já tinha alguns problemas cardíacos e tudo isto mexeu com ele.”

De volta à quinta dos pais, Pedro Dias vai identificando algumas peças num amontoado de metal oxidado e deformado, o que resta de uma colecção de velharias restauradas: “Isto era um bidé antigo; isto uma armadilha para raposas.” Agora é tudo lixo.

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Entre as duas casas, para além do recheio e objectos pessoais, na lista do que ficou destruído contam-se ferramentas agrícolas, um Fiat 600 ou uma motorizada BSA500. “O pior é que foi uma vida de trabalho que chegou a nada. Tinha casa velha, trator velho e carro velho, mas tinha tudo. Perdeu-se tudo. Não tem sido fácil.”

Atrás da casa que foi de dois pisos, escavada na rocha, está uma homenagem ao seu avô, pastor e moleiro que ali passou uma vida. Pedro Dias e Zeferino Monteiro, um escultor local, demoraram um ano a esculpir na pedra uma figura masculina entre um cão e um bode, com a inscrição “um sonho realizado que fica para a eternidade”. O trabalho ficou terminado um mês antes do incêndio, que deixou a pedra intacta. “Queria manter a memória, um simbolismo”, conta.

A recuperação faz-se lentamente. Através de um donativo recebeu seis ovelhas e cabras, que ocupam o lugar das muitas mais que morreram no incêndio.

Sobre o ritmo da reconstrução, que no seu caso está a cargo do consórcio Edivisa, por conta da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, a informação que tem é o que lhe dizem da construtora. Garantem-lhe que “está para breve”. Mas o que lhe parece é que “há pouca mão-de-obra para tanta obra ao mesmo tempo”. Prepara-se para a espera e o final do ano como meta para a conclusão dos trabalhos parece-lhe altamente improvável.

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Enquanto espera pelas reconstruções, resta-lhe uma outra habitação que escapou ao incêndio, comprada há 18 anos, e que tem vindo a restaurar nos tempos livres. Espera conseguir acabá-la a tempo do Natal.