Rio admite que PSD está “longe do PS” mas espera recuperar em 2019

Líder social-democrata diz que se fosse primeiro-ministro demitiria Azeredo Lopes

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Daniel Rocha

Rui Rio admite que, neste momento, o PSD “está longe” do PS – apesar de não confiar nas sondagens –, mas acredita que, daqui por um ano, estará a disputar as eleições legislativas “taco a taco”. A convicção foi deixada na entrevista desta noite à RTP3.

Assumindo que “quer ganhar eleições”, o líder do PSD assume que “neste momento” a sua percepção é que o seu partido “está longe” do PS, mas que a situação se vai reverter. “Daqui por um ano, face às fragilidades que o Governo vai apontando, não tenha dúvida de que o PSD poderá estar a discutir taco a taco. Pode ganhar ou pode perder, mas está taco a taco”, afirmou, acrescentando não confiar nas sondagens: “Não interessam para nada”.

Sem querer dispensar muito tempo à contestação interna para não ser acusado de só “falar para dentro do partido”, Rio pediu aos que “causam tanto ruído” que “assumam as suas responsabilidades” e acusou-os (sem nomear ninguém) de fazerem “o jogo do PS”. Mas, questionado sobre se deveriam sair do partido, Rio negou: “Não, não é para sair”.

Questionado sobre o que separa e aproxima o PSD do PS, Rui Rio assume que quer fazer política de forma “diferente” e que “olha sempre por Portugal”, citando a célebre frase de Sá Carneiro “Primeiro Portugal, depois o partido e depois as circunstâncias pessoais”. O líder social-democrata lembra que o PS não se “comporta desta forma”, apontando como exemplo a redução das 40 horas para as 35 horas semanais no Serviço Nacional de Saúde. Rio reitera a sua disponibilidade para o diálogo com todos os partidos. “Estou apostado em dialogar com todos – não é só com PS – para as reformas estruturais. Na justiça, segurança social, sistema político. Reformas que só podem ser feitas com os outros, é meu dever patriótico juntar todos”, afirmou.

Relativamente a uma futura "geringonça" à direita, com Assunção Cristas e Santana Lopes, Rio reiterou que o PSD vai [às eleições] “para ganhar”, mas realçou que o CDS “tem sido o parceiro natural” dos seus três mandatos na Câmara Municipal do Porto e até nos seus mandatos na associação de estudantes da faculdade. Já sobre a Aliança de Pedro Santana Lopes, o líder do PSD foi lapidar: “Ainda nem sequer sei o que é o novo partido. Vamos ver”.

Com 40 minutos, a entrevista começou pelo caso de Tancos. Rio repetiu a posição manifestada horas antes sobre as condições de Azeredo Lopes para se manter no Governo, caso se confirme que teve conhecimento do encobrimento da recuperação do material militar. “Quem sabe se o ministro deve continuar ou não é o primeiro-ministro. Se fosse eu primeiro-ministro e a ser verdade, o ministro não tinha condições (…) Terá sabido em Dezembro a forma como foi recuperado o material e não disse ao primeiro-ministro”, afirmou. Já sobre o grau de conhecimento do encobrimento da encenação da recuperação do material por parte do chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), o líder do PSD assumiu: “Custa-me a acreditar que o CEME não teve conhecimento de nada”. Apesar de considerar o caso “grave”, a confirmar-se que o ministro foi informado, Rio diz que não propôs uma comissão de inquérito por não ser essa a sua forma de estar na política. “Não tenho um estilo de oposição que à mínima coisa lanço um foguete para o ar e vou atrás para ver o fogo”, disse, salvaguardando que não quer criticar o CDS nem outros partidos.

Relativamente à proposta de aumentar os salários na Função Pública, no âmbito do Orçamento do Estado de 2019, o líder do PSD considera que “é popular” defender mais dinheiro para os mais baixos, mas lembrou que os quadros superiores “estão esmagados, ganham pouco”. No caso da contagem de tempo de serviço dos professores, Rio voltou a acusar o Governo de ter prometido o que não podia cumprir. Mas não quis arriscar uma posição, por não ter os números fiáveis dessa despesa que estão em cima da mesa.

Questionado ainda sobre a não recondução da Procuradora-geral da República, o líder do PSD discordou das posições assumidas por dois ex-líderes, Passos Coelho e Cavaco Silva, quando estranharam a saída de Joana Marques Vidal. “Juntaram-se uma série de interesses? Não quero acreditar nisso”, disse.