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Brian Skerry/National Geographic
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Fotografar tubarões para os proteger e combater o estigma

Sharks, uma missão de Brian Skerry reúne 50 fotografias de tubarões captadas pelo norte-americano que trabalha para a National Geographic. Para ver até 6 de Janeiro de 2019, no Oceanário de Lisboa.

Quando mergulhou com tubarões pela primeira vez, em 1982, o fotógrafo Brian Skerry ainda tinha bem presente as imagens do icónico filme de Steven Spielberg Jaws (1975). “Nessa altura muita gente tinha medo de tubarões, eram retratados como monstros temíveis”, recorda, em entrevista ao P3, a partir do Estados Unidos. Nas águas da costa de Rhode Island, onde ainda hoje vive, viu “um animal lindo e elegante”, pouco interessado em quem o tentava fotografar. Reparou na “simetria perfeita”, no “corpo desenhado para a vida no oceano”. Era um objecto de retrato “inebriante”. Desde o início da década de 80, Skerry não parou de mergulhar com tubarões para os fotografar, sempre em trabalho para a revista National Geographic. Agora, 50 das imagens com a assinatura do norte-americano estão em exposição no Oceanário de Lisboa. Sharks, uma missão de Brian Skerry já foi vista por mais de 450 mil pessoas e fica em Lisboa até 6 de Janeiro de 2019.

Nos últimos 36 anos, a missão do fotógrafo tem sido “dar uma nova reputação” a estes peixes cartilagíneos sobre os quais as pessoas “sabem pouco”. São animais populares, mas percepcionados “de forma unidimensional”: “genérico, perigoso temível”. E esta imagem negativa está a prejudicá-los, defende. “As estimativas dizem-nos que cerca de 100 milhões de tubarões são mortos anualmente, acidentalmente ou para comercialização das barbatanas”, refere. “E não podemos matar 100 milhões de predadores e esperar que os oceanos permaneçam saudáveis, são essenciais para preservar o ecossistema.”

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As fotografias expostas no átrio do Oceanário de Lisboa são o resultado de quatro histórias que publicou na National Geographic, sobre as quatro espécies mais poderosas destes predadores: o tubarão-branco, o tubarão-tigre, o tubarão-de-pontas-brancas e o tubarão-mako. Ocupam diferentes espaços no oceano, diferentes habitats, e “estão em perigo”. “É preciso mostrar o quão incríveis são, por isso passei dois anos a viajar pelo mundo.” Na década de 70, o tubarão-de-pontas-brancas era descrito como “o animal de grande porte mais abundante na Terra”; hoje, sublinha Skerry, “está 99% em declínio”. “Em apenas algumas décadas matámos quase todos, a espécie pode desaparecer enquanto nós ainda estivermos vivos.”

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Na opinião do fotógrafo que soma mais de 10 mil horas de mergulho e colecciona 14 viagens à volta do mundo, não se está a fazer o suficiente para salvar estes peixes. “A forma que encontrei de fazer com que as pessoas se preocupem é mostrar-lhes retratos íntimos.” Para isso, mergulha fora e dentro de jaulas — mas sobretudo fora, para poder observar mais de perto os animais em liberdade. No caso das imagens da exposição que chega pela primeira vez à Europa, a excepção foi o tubarão-branco. “Há pessoas que nadam livremente com esta espécie, mas não me pareceu muito esperto sair da jaula”, confessa. Conta apenas dois ou três momentos em que sentiu medo dos tubarões, mas nunca teve uma experiência desagradável.

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O importante, acredita, é ter a consciência de que “não são animais domésticos”. “São predadores, temos que perceber que não se comportam como cães. Podemos interagir com eles, em segurança, mas sempre com muito cuidado.” Os tubarões, faz questão de repetir, “não são criaturas prontas a comer pessoas”. “Podemos não sentir o mesmo por um peixe do que por um animal peludo da floresta, mas ambos precisam da nossa ajuda.”