Rui Rio atacado com "taxa Robles", procuradora e colagem ao PS

Vice-presidente da bancada parlamentar foi uma voz dura contra a proposta do próprio partido sobre a especulação imobiliária durante o Conselho Nacional do PSD desta quarta-feira à noite, nas Caldas da Rainha.

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Rui Rio LUSA/CARLOS BARROSO
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A mesa do Conselho Nacional LUSA/CARLOS BARROSO
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Interior da reunião LUSA/CARLOS BARROSO

A proposta bloquista da chamada taxa Robles - que Rui Rio admitiu não ser "disparatada" - acabou por ser visada no Conselho Nacional desta quarta-feira à noite não só pela voz do ex-líder parlamentar Hugo Soares mas também pelo vice-presidente da bancada parlamentar António Leitão Amaro, uma das caras da pasta das finanças no Parlamento.

Leitão Amaro, que foi apoiante de Rui Rio nas eleições internas, criticou a intenção do PSD de agravar a penalização fiscal por especulação imobiliária, num paralelo com a proposta bloquista da taxa Robles, por considerar que é um "erro histórico, identitário, técnico e político". A questão está relacionada com a ideia que se criou de que Rui Rio propôs o aumento da carga fiscal. O líder do PSD, na sua intervenção na reunião, rejeitou que haja um aumento dos impostos mas disse pretender mexer na tributação imobiliária. 

Eram grandes as expectativas em relação ao documento estratégico para a saúde, que o PSD deveria ter apresentado no Conselho Nacional que decorreu durante a noite e madrugada de quarta-feira. Não passou de um powerpoint mostrado depois da meia-noite (o assunto foi aprofundado esta quinta-feira, em conferência de imprensa). 

Também havia grandes esperanças relativamente ao discurso do líder do primeiro encontro depois de Pedro Santana Lopes ter deixado o PSD e o seu lugar de conselheiro nacional. Não durou dez minutos e só aconteceu no final de todas as intervenções antes da ordem do dia.

E aqueles que esperavam que a reunião servisse para aprovar os novos estatutos, também viram as suas expectativas frustradas. A discussão foi adiada para Novembro, ficando a promessa de criação de uma comissão de revisão estatutária mais profunda.

O Conselho Nacional transformou-se, assim, num palco para as críticas à nova liderança que até aqui eram feitas em surdina. O discurso que mais se destacou foi o de Hugo Soares, ex-líder parlamentar do PSD, que o PÚBLICO contactou já esta quinta-feira e que nada quis acrescentar ao que disse nas Caldas da Rainha.

Mas o que disse lá, não foi pouco. Criticou a aproximação ao PS e a estratégia errática do PSD em matéria de recondução da procuradora-geral da República. Rejeitou a "taxa Robles" e a colagem que o líder do PSD deixou que se fizesse ao Bloco. Concordou que é preciso moralizar a vida política, mas lamentou a forma como questão das dívidas autárquicas está a ser tratada na praça pública. Lembrou até que o secretário-geral adjunto Hugo Carneiro, que agora dá “lições de moral aos autarcas do PSD”, esteve ao lado de Rui Moreira nas autárquicas de 2013.

Estes reparos levaram Rui Rio a responder – praticamente só a Hugo Soares – numa intervenção curta que, para estranheza dos presentes, não versou sobre a actualidade política. Antes, à entrada, o líder havia apresentado a alternativa do PSD à "taxa Robles" e ironizara que estava "cheiinho de medo" dos críticos

O tema das sondagens também não foi abordado na reunião, mesmo que se tenha sentido o medo do PSD em que o eleitorado esteja a distanciar-se de Rio. “Corremos o risco de ter um dos piores resultados de sempre”, disse ao PÚBLICO um conselheiro nacional.

Já o presidente do Conselho, Paulo Mota Pinto, assumiu no final do encontro que "houve intervenções mais críticas, outras de alerta, outras de defesa, outras que manifestaram agrado por essas intervenções terem tido lugar no Conselho Nacional", mas que "o PSD é um partido plural". 

“Num partido da dimensão do PSD há sempre posições diversas e isso é saudável. Não penso que o PSD saia dividido, muito menos mais dividido deste Conselho Nacional”, acrescentou. "Mal estaríamos se fosse só fora”.