Professores ganham mais 35% do que a média dos trabalhadores qualificados

Relatório Education at a Glance deste ano mostra que salários dos docentes portugueses estão abaixo dos colegas estrangeiros, mas acima dos outros trabalhadores nacionais com cursos superiores.

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Marco Duarte

Os professores portugueses ganham menos do que a média dos seus colegas dos outros países que pertencem à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), mas, em comparação com os restantes trabalhadores nacionais que têm cursos superiores, auferem um salário 35% mais elevado. Os dados são do relatório anual Education at a Glance que é apresentado esta terça-feira, em Paris.

De acordo com o estudo da OCDE, os professores portugueses do 2.º e 3.º ciclos ganham, em média, mais 35% do que os restantes trabalhadores que têm formação superior. Apenas o Luxemburgo – onde os vencimentos dos professores deste nível de ensino são o dobro dos restantes trabalhadores com um diploma do ensino superior – apresenta uma diferença salarial mais elevada.

Além disso, só há mais um país, a Grécia (com uma vantagem salarial de 15% para os docentes), onde esta classe tem rendimentos superiores à média dos restantes trabalhadores com formação semelhante. Nos restantes países, os professores recebem sempre menos do que os demais funcionários com formação superior. A média na OCDE aponta para uma perda salarial dos professores de 9% face aos restantes trabalhadores qualificados.

Estes números não querem, porém, dizer que os professores portugueses estejam entre os mais bem pagos do mundo. Pelo contrário, o Education at a Glance deste ano também permite perceber que os docentes nacionais ganham menos dinheiro do que a média dos colegas da OCDE.

1400 euros mensais

No 2.º e 3º. ciclos, o salário previsto no início da carreira é de 19.468 euros anuais (ou seja, cerca de 1400 euros mensais). O valor do salário em início de carreira está abaixo da média da OCDE, que é de 19.630 euros por ano.

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Aumentar

Esta diferença acentua-se quando os professores chegam a meio da carreira. Após 15 anos de experiência, os professores portugueses recebem 25.153 euros anuais, menos cerca de 2500 euros do que a média dos colegas do resto do mundo.

Apenas no topo da carreira os salários nacionais estão acima da média. No último degrau do seu percurso profissional, os docentes recebem 38.726 euros por ano. A média da OCDE são 35.018 euros anuais.

Os valores apresentados no relatório da OCDE são apresentados em dólares e dizem respeito aos salários brutos anuais. Para a conversão de dólar para euro, o PÚBLICO levou em consideração a taxa de conversão tem em conta as paridades de poder de compra publicada pelo organismo internacional.

É a própria OCDE que sublinha no relatório publicado esta terça-feira que os números sobre a diferença entre os salários dos professores e dos restantes trabalhadores com um curso superior devem ser olhados com prudência. Os autores do estudo apresentam o caso da Grécia, onde a proporção de pessoas sobrequalificadas no mercado de trabalho leva a ganhos médios maiores dos docentes em comparação com trabalhadores com as mesmas qualificações. “Isso pode explicar que os salários dos professores sejam mais altos do que os dos trabalhadores com formação similar”, lê-se no relatório.

Salários aumentam com a experiência

Para Portugal não são apresentados dados que permitam aferir se existe um fenómeno de sobrequalificação – pessoas que, por exemplo, têm um curso superior, mas têm empregos que não exigiam um diploma. Há, contudo, uma característica do corpo docente nacional que ajuda a explicar que tenham salários mais elevados – é o envelhecimento da classe. Os salários dos professores “aumentam com a experiência, o que significa que uma classe docente envelhecida coloca uma pressão sobre os salários”, sublinha a OCDE.

No relatório, é referido que o corpo docente em Portugal tem vindo a envelhecer ao longo da última década e é hoje um dos mais envelhecidos de todos os países que são avaliados neste relatório. A percentagem de professores do ensino básico e secundário que têm 50 anos ou mais subiu 16 pontos percentuais entre 2005 e 2016 – situa-se agora nos 38%. Na OCDE esta percentagem subiu apenas 3 pontos. Em média, 35% dos docentes estão neste escalão etário.

Em sentido contrário, apenas 1% dos professores do ensino básico e secundário em Portugal tem menos de 30 anos. É o valor mais baixo de todos os países que compõem este estudo, a par com a Itália. A média da OCDE é de 11%.

O envelhecimento dos professores é um “resultado esperado” das políticas de contenção orçamental dos últimos anos, uma vez que foram contratados menos professores, assinala a nota específica sobre Portugal, que acompanha o relatório.

Actualização às 19h00 de 11/09/2018: Corrige os valores dos salários instituídos para os professores ao longo da carreira. O primeiro cálculo do câmbio dos valores, apresentados originalmente em dólares americanos, para euros, não tinha em conta a taxa de conversão seguida para OCDE para Portugal no ano de 2017 considerando as paridades de poder de compra – e que permite a comparação entre os dados dos diferentes países.